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Data de atualização: 2019/09/19
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Que tipo de país é a China ? O que disseram os primeiros portugueses aqui chegados sobre a China, 1515
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Em 1696, Giovanni Francisco Gemelli Carreri (1651-1725), viajante italiano, regressa a Macau vindo de Pequim, para voltar à Itália (via México). Deixa impressões sobre a cidade de Macau e ilhas circundantes no seu relato Giro del Mondo, publicado em seis volumes entre 1699 e 1700. (Cfr. Jorge, Cecília e R. Beltrão Coelho em Viagem Por Macau. Comentários, Descrições e Relatos De Autores Estrangeiros (Séculos XVII a XIX). Ed. Livros do Oriente. Governo de Macau, Macau, 1997, pp. 10-11).
Giovanni Francisco Gemelli Carreri regressa a Macau
AZEVEDO, MANUEL JOAQUIM BARRADAS DE (1746-1819). Nascido em Macau e baptizado na Sé, em 1746, Manuel Joaquim Barradas de Azevedo era neto de um “reinol” que, de seu nome Gaspar Barradas de Azevedo, conseguiu prosperar no início do século XVIII investindo nos tratos mercantis da cidade e, como sempre acontecia, chegando à vereação camarária e à mesa da Santa Casa da Misericórdia. A fortuna deste primeiro Barradas de Azevedo passaria para o seu filho varão Sebastião, mas seria consolidada e ampliada pelo seu activo neto Manuel Joaquim. À imagem do avô, cerzindo estreitamente poder económico e representação política, encontrámos Manuel de Azevedo a ocupar sucessivamente os cargos de almotacé camarário, em 1778, depois de alferes-mor, em 1792, chegando no ano seguinte à prestigiada posição de juiz ordinário do, nesta altura, ainda poderoso, Leal Senado. Em 1777, um estratégico casamento com Francisca Antónia Correia de Liger permite concretizar uma aliança fundamental com uma das mais poderosas dinastias políticas e comerciais da parte cristã do enclave. Ao lado do todo poderoso António Correia de Liger, muitas vezes vereador, procurador do Senado e provedor da Santa Casa, e do seu filho Filipe Correia de Liger, Manuel Barradas de Azevedo investe regularmente vários milhares de taéis de prata, sobretudo a partir de 1779, nos barcos e principais destinos comerciais animados por Macau: da Cochinchina a Surate, de Timor a Batávia. Acabaria por falecer na Sé, em 1819, mas deixando descendência que continuou a sua lucrativa actividade mercantil, mas já conveniente e estrategicamente baptizada com o poderoso apelido de Correia de Liger. Bibliografia: SOUSA, Ivo Carneiro de, A Outra Metade do Céu de Macau. Escravatura e Orfandade Femininas, Mercado Matrimonial e Elites Mercantis (Séculos XVI-XVIII), (Macau, 2006).
AZEVEDO, MANUEL JOAQUIM BARRADAS DE (1746-1819)
ARAÚJO, ALBINO JOSÉ GONÇALVES DE (1797-1832). Nascido no Rio de Janeiro em 1797, Albino José Gonçalves de Araújo pertence a esse muito pouco estudado grupo de funcionários, militares e comerciantes brasileiros que viria a deixar o Brasil após a sua declaração de independência, em 1822, dispersando-se por vários outros horizontes coloniais portugueses. Araújo decidiria fixar-se em Macau ainda na década de 1820 para encetar próspera actividade mercantil. Beneficiando do seu conhecimento das produções das terras brasileiras, conseguiu tornar-se proprietário de um navio em Macau, o Conde de Rio Pardo, imediatamente especializado em tratos com o novo país independente, sobretudo na importação lucrativa de tabaco em pó, depois vendido com grandes vantagens económicas nos mercados chineses e asiáticos. A sua promoção económica sustentou, como era normativo na sociedade macaense epocal, o seu acesso aos dois principais pilares do “regime” da cidade: o Leal Senado e a Santa Casa da Misericórdia. Assim, em 1824, encontrámos já Albino de Araújo a desempenhar o cargo de almotacé do Senado para, a seguir, em 1829, ser consensualmente eleito irmão da Santa Casa, uma consideração absolutamente indispensável para integrar a sua actividade económica e situação social na comunidade da burguesia comercial católica que continuava a dominar os tratos animados por Macau. Falecido no enclave em 1832, o rico comerciante deixava ao seu único filho uma importante fortuna, em capitais mobiliários e imobiliários, avaliada em fartos quatrocentos contos que o seu singular descendente se encarregou de dissipar ao longo da sua europeia vida. Chamava-se Albino Francisco de Araújo este dissoluto varão que, nascido em S. Lourenço, em 1832, rumou para as atractivas boémias parisienses, percorreu as outras grandes capitais da Europa, instalou-se com excessiva generosidade nas noites portuenses e lisboetas, acabando por se suicidar em Paris, em 1872. Uma “história” que vários outros grandes comerciantes macaenses da primeira metade de Oitocentos foram dramaticamente partilhando: quando não era a concorrência económica a destruir-lhes firmas e negócios existia sempre essa transmissão de uma fortuna a filhos que preferia dirigir-se para o mundo europeu, entre educação e fascínio cultural, muitos acabando rapidamente por dissolver os fartos cabedais paternos. Uma sorte de legado e transformação sócio-simbólica, convidando os capitais da burguesia comercial macaense de outrora a investir na educação quase aristocrática dos filhos nos meios mais elitários europeus. Muito poucos conseguiram acumular e utilizar esta educação, muitos outros destruíram celeremente as operosas fortunas paternas destes grandes comerciantes oitocentistas de Macau. Bibliografia: FORJAZ, Jorge, Famílias Macaenses, vol. I, (Macau, 1996), 261-263; MOURA, Carlos Francisco, “Relações entre Macau e o Brasil no Século XIX”, in Revista de Cultura, n.° 22 (Macau, 1995), pp. 31-49.
ARAÚJO, ALBINO JOSÉ GONÇALVES DE (1797-1832)
Vasco Calvo era um típico fidalgo-mercador português, talvez de origem genovesa e talvez com ligações à ilha da Madeira, que em 1519 partiu de Lisboa com destino à China, a bordo de uma nau pertencente ao almotacé-mór D. Nuno Manuel, comandada por seu irmão Diogo Calvo. Viviam-se então momentos entusiásticos nas relações luso-chinesas, pois os portugueses tinham constatado, depois de 1513, as extraordinárias possibilidades mercantis oferecidas pelo Celeste Império a todos aqueles que se aventurassem a viajar até ao litoral de Cantão. Desde esse ano, embarcações portuguesas rumavam regularmente às ilhas do estuário do rio das Pérolas, onde durante alguns meses efectuavam proveitosas trocas mercantis. E em 1517 desembarcara na grande cidade do sul da China a missão diplomática chefiada por Tomé Pires, que aguardava ainda um prometido encontro com o imperador Zheng De 正德 [r.1503- 1521]. O navio de Diogo Calvo atingiu Tamão em meados de 1520, após uma viagem relativamente rápida para os padrões da época. Tal como anteriormente tinham feito outros compatriotas, os irmãos Calvo subiram o rio até Cantão. Em meados de 1521, após a conclusão dos habituais negócios, o navio de Diogo Calvo preparava-se para largar de Tamão com destino a Malaca, juntamente com outras embarcações portuguesas que na altura se encontravam no mesmo ancoradouro. Mas precisamente nessa altura chegou a Cantão a notícia do recente falecimento do imperador chinês. Cumprindo uma tradição relacionada com o luto imperial, um édito oriundo de Pequim impunha a partida imediata de todos os estrangeiros que então se encontrassem em território chinês. Aparentemente, alguns dos portugueses que se encontravam nas ilhas do litoral recusaram-se a cumprir a ordem emitida pelos mandarins chineses, circunstância que deu início a um período de violentos confrontos entre a armada chinesa de protecção marítima e os navios portugueses ancorados em Tamão, que, como era então habitual, estavam armados de poderosa artilharia. Enquanto se davam estes confrontos, alguns dos homens do navio de Diogo Calvo, e entre eles Vasco Calvo, que se encontravam na cidade de Cantão, foram aprisionados pelas autoridades chinesas. De acordo com documentos posteriores, apenas escaparam a uma imediata execução por terem declarado que faziam parte da comitiva do embaixador Tomé Pires, que entretanto seguira para Pequim. O enorme respeito dos mandarins chineses pelas missões tributárias estrangeiras dá algum crédito a esta versão das fontes portuguesas coetâneas. Enquanto a nau de Diogo Calvo conseguia escapar à armada chinesa, vários outros navios portugueses foram capturados, sendo as respectivas tripulações quase integralmente chacinadas. Na sequência destes trágicos acontecimentos, os portugueses seriam formalmente proibidos de visitar as ilhas da Baía de Cantão durante mais de uma década. Encerrava-se assim o primeiro momento do relacionamento luso-chinês, que se iniciara de forma muito auspiciosa em 1513, mas que fora violentamente interrompido em virtude do desrespeito demonstrado pelos portugueses perante imposições das autoridades cantonenses. Entretanto, em finais de Setembro de 1521 chegava a Cantão, depois de uma infrutífera viagem a Pequim, a embaixada de Tomé Pires, que foi algo de uma recepção pouco amistosa por parte das autoridades chinesas. Mas os seus membros apenas seriam aprisionados um ano mais tarde, na sequência de demorados e rigorosos inquéritos às acções e intenções portuguesas levados a cabo pela corte pequinense. Os prisioneiros portugueses de Cantão viriam a desaparecer nos anos seguintes, a pouco e pouco, vítimas de abusos, de privações e de maus tratos nos cárceres da cidade. Vasco Calvo ainda vivia em 1536, altura em que subscreveu uma longa carta que conseguiu fazer chegar às mãos de portugueses que entretanto tinham de novo regressado ao litoral chinês. Nesse documento, o autor registava detalhadas informações sobre as realidades chinesas que tivera oportunidade de observar em primeira mão, traçando um quadro extremamente elogioso das grandezas políticas, económicas e sociais da China. Complementarmente, fornecia minuciosos planos para uma possível conquista portuguesa do sul da China; segundo afirmava, “no mundo não se achará terra de riqueza e para submeter debaixo de poder como esta”. A desvalorização que fazia do poderio militar chinês poderia ter ficado a dever-se às deficientes condições em que efectuou as suas observações. Fazia ainda referência a um curioso tratado de geografia chinês que teria conseguido obter, e que era capaz de ler, uma vez que durante o seu cativeiro tinha tido ocasião de aprender rudimentos da língua chinesa falada e escrita. Assim, talvez lhe caiba o mérito de ter sido o primeiro sinólogo português. A carta de Vasco Calvo e o livro chinês que obtivera foram enviados para Portugal, onde chegaram às mãos do cronista João de Barros, que lhes deu o devido uso na elaboração da sua Década 3, que então preparava para os prelos (Lisboa, 1563). Vasco Calvo desapareceu em altura incerta nas prisões de Cantão, em data que não deveria ter sido muito posterior a 1536. Bibliografia: LOUREIRO, Rui Manuel, Cartas dos Cativos de Cantão: Cristóvão Vieira e Diogo Calvo, (Macau, 1992).
CALVO, VASCO (?-?)
Alexandrino António de Melo faleceu em Marselha, França, a 21 de Maio de 1877. Da terceira geração da família macaense 'Melo' de Macau, nasceu em Macau cerca de 1809, filho de António Gotero de Melo, que deve ter ido para Macau nos finais do Século XVIII. Alexandrino António de Melo é grande comerciante, proprietário e um dos 40 maiores contribuintes de Macau. Almotacé da Câmara de Macau eleito em 1840, membro do Conselho da Província (1872), procurador do Governo de Timor (1873), e cônsul do Brasil em Macau. Fundou por sua iniciativa a «Nova Escola Macaense» (1862), cujos fundos depois reverteram para a «Associação Promotora da Instrução dos Macaenses» de que ele foi também um dos fundadores em 1871. Foi ainda sócio fundador e um dos primeiros directores da «Hong Kong, Canton &Macao Steamboat Company». Barão do Cercal por decreto de 11.5.1851, e Visconde do Cercal por carta de 5.4.1867. Mandou edificar para sua residência a casa da Praia Grande (hoje Palácio do Governo) e foi também proprietário da Quinta de Santa Sancha (hoje residência oficial do Governador de Macau).
Alexandrino António de Melo faleceu em Marselha
Faleceu João Lourenço de Almeida em Macau a 4 de Setembro de 1864 (sepultado no Cemitério de S. Miguel). Da terceira geração da família macaense 'Almeida', nasceu em S. Lourenço a 29 de Maio de 1788. Foi Capitão de navios, aprovado por carta de Agosto de 1811, comandante do brigue «Elisa» (1823), do navio «Gratidão» (1825) e da escuna «Genoveva», que em 1837 viajava para Bombaim e Singapura. Irmão da Santa Casa da Misericórdia de Macau, eleito a 1 de Novembro de 1833 e almotacé da Câmara em 1834.
Faleceu João Lourenço de Almeida em Macau
Nascido em Inglaterra e falecido num dramático naufrágio quando dirigia o seu navio comercial, o Henrich, em viagem mercantil entre a China e a Índia, William Allanson pertence a esse importante grupo de comerciantes britânicos que, ao longo do período oitocentista, conseguiu desenvolver prósperos negócios entre Macau, Cantão e Xangai. Em 1854, Allanson inaugurou no território macaense com o seu sócio Frederick John Angier – personagem com fortes ligações à família local dos Nolasco da Silva – uma firma comercial denominada “Angier & Allanson”. Descobre-se uma dessas típicas companhias do século XIX organizadas em torno da exportação de produções chinesas, sobretudo chá, porcelanas e sedas, circulando lucrativamente entre Macau e a Inglaterra que, nesta altura, alargava o consumo económico e social dos chás orientais. A firma não resistiria à morte infeliz de William Allanson, mas a família gerada com o seu casamento com Mary Allanson, depois de obtida licença para a consumação de um matrimónio em disparidade de culto, viria a criar uma descendência católica com alguma importância nas actividades religiosas em Macau e Hong Kong. Assim, uma das filhas deste casamento entre este abonado comerciante protestante e uma mulher católica, recebendo o nome completo de Maria Joana Allanson, mas mais popularmente conhecida por “Mariquinhas”, nascida e baptizada já em S. Lourenço, concretizaria missão significativa na abertura e desenvolvimento do trabalho das Canossianas em Hong Kong, seguindo o exemplo caritativo e o empenho educacional que esta ordem feminina havia já difundido em Macau e, ainda mais longe, em Timor. Bibliografia: FORJAZ, Jorge, Famílias Macaenses, (Macau, 1996), pp. 75-76.
ALLANSON, WILLIAM (1818-?)
Faleceu Francisco João Marques em S. Lourenço a 16 de Fevereiro de 1869. Primeiro filho de Domingos Pio Marques de Noronha e Castelo Branco, da 4ª geração da família macaense 'Marques', nasceu em S. Lourenço a 25 de Junho de 1807. Capitão de navios. Em 1837 comandava a barca «Tranquilidade», que viajava para Bombaim e Singapura. Mais tarde fixou residência em Ning-Pó, no norte da China, onde foi cônsul de Portugal. Aí recebeu em 1854 a visita da corveta «D. João I» que fora enviada pelo governo de Macau para combater o pirata Apak.
Faleceu Francisco João Marques
Fonte: | Forjaz, Jorge, Famílias Macaenses, Vol. III, Fundação Oridente, Macau, 1996, p. 801-802. |
Idioma: | Português |
Identificador: | t0006150 |
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