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Data de atualização: 2020/09/03
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O famoso arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino faleceu em Macau a 21 de Junho de 1852. Da terceira geração da família macaense 'Aquino' de Macau, nasceu em S. Lourenço a 27 de Agosto de 1804. Estudou no Colégio de S. José em 1818 embarcou para Lisboa onde se mtriculou no Colégio Luso-Britânico, nas cadeiras de matemática, desenho e comércio, obtendo carta patente passada pelo Tribunal do Comércio de Lisboa, após o que regressou a Macau em 1825. É autor dos projectos de alguns dos mais importantes edifícios do seu tempo em Macau- palácio do Barão do Cercal, na Praia Grande (hoje Palácio do Governo), a casa de José Vicente Jorge (demolida), a casa das 16 colunas (demolida para dar lugar ao Instituto Salesiano), reconstrução da Igreja de S. Lourenço, reconstrução da Sé, etc. Era proprietário, tenente do Batalhão Provisório de Macau e capitão da barca «Margarida». Foi aomotacé (1840), vereador (1841) e juíz ordinário do Leal Senado (1842) e sóco do Ateneu das Belas Artes de Lisboa (1839).
José Agostinho Tomás de Aquino faleceu em Macau
Macau continuava a manter a estrutura espacial do período antecedente, em que a área portuguesa se desenvolvia entre a Igreja de S. António, Patane, o forte e a Igreja de S. Paulo e o mar. Os núcleos conventuais de Santo Agostinho, S. José e S. Lourenço passaram também a atrair alguns moradores portugueses e estrangeiros. Até aos finais do século XVIII a Rua Central, que ligava a Sé à Igreja da Penha, estendeu-se até à Barra. A malha urbana continua a organizar-se por edifícios religiosos, S. Paulo, S. Francisco, Santa Clara e Sé, definindo-se grandes quarteirões com amplos espaços livres que os envolviam. S. Lázaro manteve-se como o núcleo aglutinador dos chineses cristãos, encontrando-se os demais repartidos pelos aldeamentos em torno do Templo de Ma Kok Mil (Mage Miao 媽閣廟), a norte do Largo de Santo António, Patane, SáKong (Shagang 沙崗) e San Kiu (Xinqiao 新橋). Na parte setentrional de S. Paulo fixara-se, entretanto, a Companhia Holandesa das Índias Orientais. Durante o século XVIII foram introduzidos em Macau novos modelos arquitectónicos de raiz europeia, os quais se irão manifestar, sobretudo, na arquitectura civil. Aparece um conjunto significativo de edifícios ao longo da Baía da Praia Grande, que são propriedade das companhias, residências da nobreza e o Palácio do Governo, os quais, para além da inspiração arquitectónica e decorativa de raiz portuguesa revelam, também, influências inglesas, evidentes nos elementos típicos de um classicismo tardio. A estética barroca é patente em alguns edifícios religiosos como o Seminário de S. José. Nas zonas chinesas aparecem novos templos como os de Ling Fong (Lianfeng Miao 蓮峰廟), Lin K’ai (Lianxi Miao 蓮溪廟), Soi Ut Kum (Shuiyue Gong水月宮) e Kuan Tai (Guandi Miao 關帝廟).
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO de Macau do Século XVIII
Macau era então um entreposto onde as matérias-primas da China eram exportadas para a Malásia de onde traziam a pimenta, outras especiarias e o sândalo. Esta actividade fez surgir armazéns, junto ao porto, e um local para depositar as mercadorias limitado pela R. de Tercena, pelo templo de Sam Kai Ui (Sanjiehui Guan 三街會館), à direita, tendo em frente S. Paulo, e na retaguarda o Porto Interior. Macau era um centro de mercadores e de navegadores, cuja organização do espaço reflecte ainda hoje a acção da Igreja Católica. Ali se foram fixando diversas Ordens Religiosas que indelevelmente marcaram o povoado com a construção das suas igrejas e conventos, cabendo especial relevo à Companhia de Jesus. Junto a estas edificações foram surgindo as casas decariz mais definitivo dos cristãos, na sua maioria portugueses.A cidade portuguesa seiscentista, que se ia desenvolvendo resguardada por muros de taipa e chunambo, uma mistura de terra e cal de ostra, não possuía ainda uma estrutura consolidada, sendo os edifícios religiosos e os armazéns chineses os mais relevantes. Entre S. Paulo e o mar encontravam-se as melhores casas, habitadas por gente abastada, maioritariamente constituída por mercadores ocidentais. Segundo Bocarro, a população de Macau, para além da chinesa, era de 850 portugueses e 5100 escravos, além de pilotos e navegadores. A comunidade chinesa ocupava o sector ocidental que se foi expandindo ao longo do Porto Interior, residindo em construções feitas de tijolo, constituindo a zona que, noséculo XIX, era conhecida por Grande Bazar. Este progresso foi atraindo a cobiça de outros povos que acabariam por assaltar a cidade em 1604, 1607, 1622 e 1627. Necessidades prementes de uma defesa mais conseguida levaram ao melhoramento das velhas fortalezas, após terem procurado obter autorização do vice-rei de Cantão, em 1612, para fortificar Macau, explicando que as fortificações não eram contra os chineses mas para defesa contra um eventual ataque dos holandeses, o que veio a acontecer em 1622. As instalações fortificadas do Monte ofereceram condições suficientes de defesa e os portugueses rechaçaram o ataque holandês. Depois desse acontecimento, o governador D. Francisco Mascarenhas, procedeu à edificação da muralha e a diferentes obras de fortificação. Nessa altura as muralhas eram de taipa feita com argila, palha e cal de ostra, em camadas horizontai ssucessivas e muito apertadas, com cerca de cinco metros de altura. No final do século XVII, às edificações e locais anteriormente referidos, juntavam-se então outras. 1. Templos Cristãos. Convento de S. Paulo, Capela de Nossa Senhora da Guia, Convento de Santa Clara, Capela de N a. Sr a. da Penha de França. 2. Templos Chineses. Kun Yam Mil (Guanyin Miao 觀音廟). 3. Edificações Militares. Baluarte de S. João, Fortim de S. Januário, Fortaleza de N a. Sr a. da Guia, Fortim de S. Pedro, Fortaleza de N a. Sr a. do Bom Parto, Forte de N a. Sr a. da Penha de França. 4. Aldeias Chinesas. S. Lázaro, Lon T’in Tchin (Longtiancun 龍田村), San Kiu (Xinqiao 新橋), Macau Seac (Majiaoshi馬交石), Tanque Mainato. 5. Fábricas. Cal de ostra “chunambo”, Fundição de bronze, de Manuel Bocarro. Se no início do Séc. XVII as construções eram ainda de Taipa, nos finais do mesmo século passaram a ser de pedra, mais amplas e ornamentadas. Todos os templos cristão fundados no século XVI, de madeira, ou no princípio do século seguinte, de taipa, caracterizados por uma só nave, capela-mor simples e fachada plana, acabaram por ser remodelados, ampliado se dotados, alguns, de fachadas em pedra, apenas nos finais do século XVII. Serve de exemplo a Igreja do Convento de S. Paulo, fundada pelos jesuítas no final do século XVI, remodelada em 1603-1640 e destruída pelo incêndio de 1835, da qual resta hoje o pavimento interior, transformado em museu, e a imponente fachada de pedra que se ergue no cimo uma ampla escadaria. A fachada, de tipo jesuítico, é composta por três ramos separados por igual número de colunas, com quatro andares no ramo central e dois nos laterais. A decoração integra elementos barrocos de tipo ocidental e iconografia de inspiração oriental. Também no século XVI os dominicanos de Acapulco ergueram o Convento de S. Domingos, cuja madeira viria a ser substituída, no século seguinte, pela actual. Trata-se de um edifício que apresenta a fachada principal com um corpo central desenvolvido em três andares e rematado por frontão triangular, articulando-se com os laterais, mais baixos, através de uma aleta simplificada. Já a Igreja de N a. Sr a. da Graça do Convento dos Agostinhos apresenta uma fachada mais simples ao gosto clássico. Menos elaboradas dos que as conventuais, as igrejas paroquiais quinhentistas e seiscentistas deixam ver ainda a organização espacial e formalda época, pese embora todas as alterações e restauros que foram sofrendo através dos tempos. De uma forma geral apresentam planta de uma só nave com capelas laterais, fachadas simples enquadradas por uma ou duas torres, como é o caso das Igrejas de Santo António, S. Lourenço e Sé Catedral.
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO de Macau do Século XVII
A estrutura da cidade vai-se modificando, surgindo uma arquitectura que é o resultado de uma especial síntese de tradições e inovações. São construídos os aterros nas zonas da Praia Pequena e do Manduco que se traduzem em mais espaços para novas construções. É nesta época que se iniciam as obras do Jardim Botânico, mais tarde conhecido por Jardim de Camões, o primeiro de um conjunto mais vasto de jardins que surgiriam na segunda metade do século XIX. A arquitectura começa a inspirar-se nos modelos do neoclassicismo académico que, progressivamente, acabará por integrar a linguagem do ecletismo oitocentista. Lugar destacado teve o arquitecto José Tomás de Aquino que projectou diversas residências, teatros, igrejas, sendo de sublinhar a reedificação, em 1834, da casa Joseph Jardim, na Rua do Bom Parto; a construção, em 1837, de uma nova Ermida da Penha; o Teatro Luso-Britânico, em 1839; a sua própria residência, em 1846, na chácara de Santa Sancha, mais tarde residência do governador; o Palacete da Flora, em 1848. Pouco depois abriram-se as ligações entre a zona da Porta de Santo António e Mong Há (Wangxia 望廈), passando pela Porta do Cerco. A par da reparação e modernização das velhas fortificações, construíram-se novas, como o Forte de Mong Há (Wangxia 望廈), a Fortaleza de D. Maria II e a bateria Primeiro de Dezembro. No interior da cidade procedeu-se à melhoria de alguns edifícios civis e religiosos e foi estabelecido a numeração de prédios e casas. Por esta altura, década de cinquenta, Macau contava com mais de 25.000 habitantes, dos quais 20.000 eram chineses. A partir dos anos 50, a política de regeneração estendeu-se também a Macau, levando ao melhoramento das suas comunicações, do sistema viário, das medidas de saneamento e das grandes obras públicas. É também a partir desta época que a influência de Hong Kong mais se faz sentir em Macau, bem evidente na reconstrução e na expansão da cidade. O neo-classicismo, já definido como um estilo internacional com adaptações às condições locais, vai sendo um modelo que, através da Inglaterra, vai aparecendo na Índia, Viet Nam, em algumas cidades portuárias da China, Hong Kong e, através desta, em Macau. Já nos finais da década seguinte, por portaria de 12 de Março de 1869, é nomeada uma comissão para classificar as ruas da cidade, composta por Félix Hilário de Azevedo, Lourenço Marques, João Correa Paes de Assunção e Manuel de Castro Sampaio. Posteriormente, a referida comissão elaborou e apresentou, a 16 de Junho do mesmo ano, um relatório ao governador Sérgio de Sousa (1868-1872). Foram restituídos os nomes originais a várias ruas, outras obtiveram novos nomes, num total de 529 vias públicas. O recenseamento de Junho de 1867 apresentava um total de 56252 habitantes. As áreas de maior concentração eram a cidade cristã, com 20.177 habitantes, e o Bazar, com 14.573 habitantes. Os europeus residiam em maior número na Sé e em S. Lourenço. O Hospital português de S. Januário é construído a partir de 1872, filiando-se no modelo neogótico inglês, da autoria do barão do Cercal, também autor do projecto do Cemitério de S. Miguel, no qual se encontra a capela neogótica, de 1875. O Grémio Militar, mais tarde Clube Militar, é igualmente do barão do Cercal, datado de 1872, assim como a fachada principal do Teatro D. Pedro V (1863-79), ambos de inspiração clássica. Já o Quartel da Polícia Marítima na Barra (1879) é do risco do arquitecto italiano Cassuto, de inspiração neoindiana de tipo inglês. Em 1881 fizeram-se obras de regularização das margens do Porto Interior, tornando possível a abertura de uma marginal que, mais tarde, se ligaria ao passeio da Praia Grande. Obedecendo aos novos gostos, a antiga fachada lisa da Santa Casa da Misericórdia é transformada numa arcada em dois andares, vulgarizando-se as arcadas nos edifícios das ruas comerciais como os do Largo do Senado e da Avenida Almeida Ribeiro.
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO de Macau do Século XIX
| Fonte: | Arquivo de Macau, documento n.ºMNL.17.186.F |
| Entidade de coleção: | Arquivo de Macau |
| Fornecedor da digitalização: | Arquivo de Macau |
| Tipo: | Imagem |
| Fotografia | |
| Preto e branco | |
| Formato das informações digitais: | TIF, 1387x2000, 2.65MB |
| Identificador: | p0004428 |
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