O holandês A.E. van Braam Houckgeest, que foi chefe em Cantão da feitoria da Companhia Holandesa da Índia Oriental e que conhecia bem Macau por ter aqui vivido muito tempo, dedica 100 páginas a esta terra no 2.º vol. da sua obra Voyage de 1’Ambassade de la Compagnie des Indes Orientales Hollandaises vers l’Empereur de la Chine dans les annes 1749 et 1795. Descreve Macau em 1770, sem qualquer agradecimento ou benevolência para com a terra que o acolheu: “Casas largas, espaçosas e sólidas; as paredes de 3 ou 4 pés de espessura, mas mal desenhadas e construídas sem graça; quartos a comunicar directamente uns com os outros [esqueceu-se da ventilação que proporcionavam…] e mobilados mais à chinesa do que à europeia. A família vive no 1.° andar; o rés-do-chão é para depósito. Os portugueses, ainda os mais ricos, contentam-se com um pouco de peixe salgado e arroz; não oferecem bebidas, a não ser que lhas peçam. O comportamento social equipara-se à sua mobília, isto é, nulo. As mulheres não têm cadeiras nos apartamentos, mas sentamse em esteiras. Raça bastarda e regenerada, é difícil achar no mundo inteiro tanta mistura de raças e cores, de todas as espécies de negro e uma variedade de amarelo e branco; entre as mulheres, que são 2/3 da população, “as belezas são tão raras como corvos brancos”; prevalece entre elas a prostituição. Há apenas 12 barcos de pequena tonelagem: 2 empregados no tráfico de Calcutá, um no de Goa, um no de Timor, às vezes um no de Batávia e o resto no da Indochina. Os barcos de importação do sândalo de Timor chegaram a ser suficientes para as despesas locais, mas o ópio da Índia era o que mais rendia. Os macaistas ganhavam a vida como compradores e agentes das feitorias estrangeiras e em fornecer-lhes concubinas da sua própria família”.

Informações relevantes

Data de atualização: 2020/07/21