
Informações relevantes
Data de atualização: 2020/09/03
Surgimento e mudança da Ribeira Lin Kai de San Kio
Macau e a Rota da Seda: “Macau nos Mapas Antigos” Série de Conhecimentos (I)
Escravo Negro de Macau que Podia Viver no Fundo da Água
Que tipo de país é a China ? O que disseram os primeiros portugueses aqui chegados sobre a China, 1515
Lord Earl Amherst era sobrinho do 1.º Barão de Amherst, Jeffrey Amherst – marechal de campo e conhecido herói de guerra, que comandou as tropas britânicas em vários teatros de guerra – e sucedeu-lhe no título, após a morte deste em 1797. Foi Governador Geral da Índia Inglesa de 1823 a 1828 e responsável pelo alargamento da influência desta, na sequência da 1.ª guerra com a Birmânia, de que resultou a anexação de parte do seu território. A sua ligação a Macau prende-se fundamentalmente ao facto de ter comandado a segunda e última missão diplomática britânica que alcançou Pequim, antes da Guerra do Ópio, e ao impacto que essa embaixada teve no relacionamento sino-britânico e na gestão dos apetites britânicos sobre Macau. Tanto a primeira embaixada inglesa ao Imperador da China, que fora comandada por Macartney em 1793, como esta, foram ambas um fracasso. Lord Amherst não chegou a ser recebido pelo Imperador e teve de abandonar o país por Cantão, local por onde entrara com grandes projectos. Essa embaixada chegou a Macau, em Julho de 1816, e regressou por Macau, onde desembarcou em 22 de Janeiro de 1817 e onde permaneceu 3 dias. A importância para Macau desta expedição deve-se a vários factores que, conjugados, foram marcantes. Em primeiro lugar, a conjuntura internacional em que a Grã-Bretanha, na sequência das guerras napoleónicas, emergiu como a superpotência ocidental e foi gradualmente impondo o seu liberalismo económico a nível mundial. Em segundo lugar, numa alteração da percepção inglesa sobre o relacionamento com Pequim, confirmando-se que esta não aceitava, mais uma vez, aceder a relações de Estado numa base de igualdade. Em terceiro lugar, a constatação de que não seria possível obrigar a China a abrir-se ao exterior sem o uso da força. Esta opção não constava, contudo, no horizonte da política externa inglesa, a curto ou médio prazo, dado que havia outras prioridades no Império Colonial Inglês e ainda não se alcançara uma clara superioridade militar britânica. Não foram solicitados territórios ao Imperador, dados os fracassos anteriores, quer de Macartney quer das duas tentativas britânicas de anexação de Macau (1802 e 1807), na sequência das guerras napoleónicas, que tinham conhecido franca hostilidade das autoridades chinesas. Em quarto lugar, os relatos de viagem mencionavam Hong Kong, local onde a esquadra se abasteceu, segundo orientação da Companhia da Índias Orientais (EIC), e que a partir daí, começava a entrar com regularidade nos relatos e roteiros dos comerciantes ingleses. Em quinto lugar, os britânicos retomaram a ideia de se estabelecerem noutros locais para além de Macau, sendo que este estabelecimento poderia ser utilizado como base de apoio no processo de implantação desses novos estabelecimentos. Antiga ideia inglesa, por exemplo, em 1793, Lord Macartney solicitara as ilhas de Chusan ou alguma perto de Cantão. Em 1834, a também fracassada missão de Lord Napier pretendia solicitar a permissão de estabelecimentos de britânicos em Lantau e Hong Kong. Assim, neste período que marcou o advento de Hong Kong, as atenções rodeavam Macau, mas o insucesso da viagem de Lord Amherst contribuiu para uma redução dos apetites britânicos sobre Macau e a manutenção deste estabelecimento na posse da coroa portuguesa, então enfraquecida pelas dependências resultantes da sua ida para o Brasil, situação que se agravou com as guerainda do fracasso desta embaixada, por manter por mais alguns anos o seu estatuto de único entreposto ocidental na China. Era o único porto da China onde os comerciantes ocidentais podiam pernoitar o ano inteiro e os representantes das companhias podiam viver acompanhados das suas mulheres. Na altura desta embaixada, Macau era uma cidade cosmopolita, que albergava os comerciantes das feitorias estrangeiras de Cantão, e o homem mais poderoso da cidade era o conhecido ouvidor Miguel de Arriaga. Residia, por exemplo, desde 1807, em Macau, Robert Morisson, que na altura trabalhava na tradução da Bíblia (“Novo Testamento”) para chinês. Morisson integrou a embaixada de Lord Amherst a Pequim, como secretário de língua chinesa. A presença inglesa era significativa e a “Casa Garden” pertencia à Honorável Companhia Inglesa das Índias Orientais (EIC), que já dominava a maioria do comércio externo chinês, em Cantão. Os comerciantes americanos e os portugueses eram os maiores competidores. Quanto ao comércio de ópio, importado fundamentalmente da Índia inglesa, estava em franco desenvolvimento, desde o ínicio do século, apesar das proibições publicadas pelas autoridades chinesas, contudo, parecia que ainda não tinha atingido níveis preocupantes para as autoridades chinesas. As exportações de ópio cresceram no período em que Lord Amherst foi governador-geral da Índia, mas só uma maior investigação permitiria conhecer se a sua accão teve algum peso significativo nesse sentido ou se apenas é uma manifestação de uma tendência que acompanhou toda a primeira metade do século XIX. Será também de realçar que foi no final do ano da passagem de Lord Amhest por Macau, e também influenciada pelos efeitos dessa embaixada, que impulsionada pelo ouvidor Miguel de Arriaga se fundou, em Macau, a gigantesca sociedade comercial Casa do Seguro Mercantil”, que associava a maioria de comerciantes portugueses, o próprio Leal Senado e a Misericórdia, e se destinava a combater a concorrência dos comerciantes britânicos. A sede desta firma foi posteriormente transferida para Calcutá, residência do governador geral da Índia, e quando a sociedade foi dissolvida em 1827, após a morte do ouvidor, era governador geral Lord Amherst. Na análise da personalidade de Lord Amherst não se poderá deixar de mencionar que na viagem de retorno, que também foi muito atríbulada, com o afundamento do seu navio, o Alceste, ele teve de mudar de navio e conheceu uma alteração de rota, aportando em S.ta Helena, onde aproveitou para visitar Napoleão, com quem teve vários encontros. Durante a sua governadoria, em 1826, foi fundada na Birmânia a cidade de Earl Amherst, em sua honra. Depois do seu regresso da Índia, retirou-se para a sua quinta, onde residiu até ao seu falecimento, quase 30 anos depois. Bibliografia: PINTO, Carlos Lipari Garcia, Macau Oitocentista e o Impacto da Fundação de Hong Kong, (Macau, 1994, policopiado); RIDE, Lindsay; RIDE, May, An East Company Cemetery. Protestant Burials in Macao, (Hong Kong, 1996).
AMHERST, LORD EARL WILLIAM PITT (1773-1857)
No dia 28 de Junho de 1717, “Neste dia chegou a esta Cidade o Vice-Rei de Cantão com dois Mandarins de Graduação Grande, e logo forão a S. Paulo e d’aly para a Caza de António de Siqueira que se lhes tinha preparado com asseio para a sua assistência, onde forão os Ministros do Senado vezita-lo, alem dos recebimentos que se lhes fiserão, com as companhias formadas a alias e muitas salvas. As 2 horas da tarde forão para a Fortaleza do Monte e se foi embora pela porta de S. Lazaro, deixando a todos satisfeitos pelo bom modo com que recebia a todos e pelos saguates que deixou de pessarias, farinha, etc, o que outro nenhum tinha feito athe este tempo”.
Chegou a cidade de Macau o Vice-Rei de Cantão
No dia 22 de Setembro de 1714, o Ouvidor Manuel Vicente Rosa manda encarcerar António de Albuquerque Coelho na Fortaleza da Guia; este, dois anos antes, mandara prender o mesmo Vicente Rosa. A 22 de Setembro de 714, Coelho escreve ao Ouvidor Rosa, protestando contra a sua prisão, alegando que fizera isso por paixão “como inimigo declarado seu, já de cinco anos a esta parte”. Tendo sido solto, Albuquerque parte para Goa, para se justificar junto da Relação, em fins deste ano. Antes de partir mandou fazer um sino, que ainda existe na ilha de Adonara (em frente de Solor) na Igreja de Vure, com esta inscrição: “António de Albuquerque Coelho Fidalgo da Casa de Sua Magestade mandou fazer este sino em 1 de Dezembro de 1714”.
Ouvidor manda encarcerar António de Albuquerque Coelho
ANSON, BARÃO GEORGE (1697-1752). Almirante cuja rota da circum-navegação (1740- 1744) passa por Macau. Entre outras façanhas, Anson derrota a frota francesa no Cabo Finisterra em 1747, e, enquanto First Lord of the Admiralty (1751-1756, 1757-1762), leva a cabo importantes reformas navais, contribuindo para o sucesso de Inglaterra na Guerra dos Sete Anos (1756-1763). Após cerca de dois anos de viagem, em 12 de Novembro de 1742, encontrando-se apenas quatro embarcações da EIC no Sul da China, chega à rada de Macau, com o intuito de se reabastecer, o primeiro barco de guerra da Marinha Real inglesa, o H. M. Centurion, sob o comando de George Anson, que partira de Southampton em 18 de Setembro de 1740 para desequilibrar os interesses espanhóis, sobretudo no continente americano. Um dos membros da tripulação descreve a chegada à Taipa e o poder (cada vez mais nominal) dos portugueses em Macau. O enclave funciona como porto familiar e seguro durante longas viagens de embarcações europeias. Na China Meridional inúmeros barcos europeus necessitam de se reabastecer e de ser reparados, como é o caso do Centurion. O capitão inglês do Augusta, barco da EIC, informa Anson dos procedimentos habituais dos estrangeiros à chegada a Macau, nomeadamente o pedido de autorização às autoridades chinesas para entrar no rio de Cantão e as taxas alfandegárias que o Centurion teria que pagar, aconselhando o Comodoro a informar-se melhor junto do governador e do Senado de Macau, que, temendo represálias chinesas como as que a cidade sofrera ao receber o London e outras embarcações inglesas, aconselha Anson a atracar discretamente na Taipa e a não entrar no rio das Pérolas, pois caso o fizesse teria de pagar as taxas alfandegárias ao mandarinato cantonense. Os portugueses servem, mais uma vez, de fonte de informação sobre a China para visitantes estrangeiros, deslocando-se Anson, no segundo dia da sua estada, a terra para inquirir o governador sobre as possibilidades de adquirir mantimentos e reparar o barco. Este último responde que se vê forçado a pedir autorização às autoridades mandarínicas e, perante tal postura, o Comodoro, apercebendo-se de que apenas o vice-rei de Cantão poderia autorizar o reabastecimento e a reparação do Centurion, aluga um pequeno junco e dirige-se para Cantão, onde, após aconselhar-se junto dos sobrecar¬gas da EIC aí instalados, tenta, através do Co-Hong (Gonghang 公行), em vão, falar com o mandarim, regressando à Taipa cerca de um mês depois, em 16 de Dezembro. Já em Macau o Comodoro entrega ao Hopu (Hubu 户部) uma carta traduzida para chinês dirigida ao vice-rei de Cantão, ameaçando o oficial da alfândega de Macau que subiria a Cantão no seu barco caso a missiva não fosse entregue ao seu destinatário. Dois dias depois, uma frota de dezoito juncos desce ao Canal da Taipa transportando enviados do vice-rei de Cantão que se encontram com Anson, que, por sua vez, ameaça quer as autoridades chinesas, quer indirectamente a Cidade do Santo Nome de Deus com a força do seu barco de guerra caso essa mesma embarcação não seja reabastecida e reparada. A permissão do vice-rei chega em 6 de Janeiro de 1743, e, em 19 de Abril, encontrando-se o barco pronto para viajar, Anson deixa a rada de Macau, afirmando estrategicamente que se dirige para Batávia para regressar três meses mais tarde, em 11 de Julho, com o galeão espanhol Nuestra Señora de Cobadonga, que tomara nas Filipinas, em 30 de Junho, enquanto este fazia a viagem Acapulco-Manila carregado de mercadoria. O comodoro, lutando novamente contra as exigências dos chineses, dirige-se, três dias depois, à Boca do Tigre, onde pede mantimentos e permanece algum tempo à espera dos mesmos, visitando Whampoa (Huangpu 黃埔) e Cantão até regressar a Macau e partir, posteriormente, após mais uma estada de seis meses nos mares da China, para Inglaterra, onde chega em Junho de 1744. O relato da viagem do Comodoro Anson, atribuído a Richard Walter, capelão do H. M. Centurion, mas redigido, segundo alguns estudiosos, por Benjamin Robins, e publicado em 1748, espelha a atitude inglesa em relação à China, um país considerado intolerante, enquanto a administração mandarínica reforça a vigilância de Macau para evitar a entrada de mais barcos ‘bárbaros’ no Império do Meio através de Macau. O texto atribuído a Richard Walter descreve a estada da tripulação em Macau, e, tal como os autores dos relatos da embaixada de Lord Macartney farão mais tarde, refere a riqueza de que a cidade gozara no início da ocupação portuguesa e a decadência em que então se encontra, permanecendo os portugueses no enclave com autorização dos chineses, que podem, quando o entendem, bloquear a entrada de comida obrigando assim o governador a obedecer-lhes. A obra é traduzida para francês em 1751, ilustrada com uma gravura da cidade vista do mar, onde o Centurion se encontra representado, com base na gravura de Nieuhoff (1665). No que diz respeito às consequências da viagem do Centurion pelo globo e pelos mares da China Meridional, e de entre os muitos exemplos de obras que reflectem e aplaudem o resultado da expedição, John Campbell publica Navigantium atque Itinerantium Bibliotecha: or, A Compleat Collection of Voyages and Travels (1744-1748), na qual glorifica as façanhas marítimas inglesas e descreve o interesse crescente das nações europeias no comércio, sobretudo com a China, servindo-se ainda das muitas inconveniências enfrentadas pelo comodoro Anson em Macau, das dificuldades da circum-navegação e das relações com as autoridades chinesas para provar a capacidade dos ingleses, que futuramente deverão seguir o exemplo do comodoro pelos mares, honrando a Inglaterra. Bibliografia: WALTER, Richard, A Voyage Round the World in the Years MDCCXL, I, II, III, IV, by George Anson, (Londres, 1748); WALTER, Richard, Anson’s Voyage Round the World, introdução e notas de G. S. Laird Clowes, (Londres, 1928); MORSE, Hosea Ballou, The Gilds of China, (Nova Iorque, 1909); MORSE, Hosea Ballou, The International Relations of the Chinese Empire, vol. 1: The Period of the Conflict 1834- 1869, (Londres, 1910); MORSE, Hosea Ballou, The Chronicles of the East India Company Trading to China 1635-1834, vol. 1, (Oxford, 1926); SOMMERVILLE, Boyle, Commodore Anson’s Voyage into the South Seas and Around the World, (Londres, 1934); WILLIAMS, Glyndwr (ed.), Documents Relating to Anson’s Voyage Round the World 1740-1744, (Londres, 1967); WILLIAMS, Glyndwr (ed.), “Anson at Canton, 1743: ‘A Little Secret History’”, in CLOUGH, Cecil P.; HAIR, P. E. H. (eds.), The European Outhrust and Encounter: The Firts Phase (c. 1400-c. 1700), (Liverpool, 1994), pp. 271-290; WILLIAMS, Glyndwr, The Prize of all Oceans: The Triumph and Tragedy of Anson’s Voyage Round the World, Harper Collins, (Londres, 1999); SUMAREZ, Philip, Log of the Centurion Based on the Original Papers of Captain Philip Saumarez on Board HMS Centurion, Lord Anson’s Flagship During his Circumnavigation 1740-44, (Londres, 1973); EAMES, James Bromley, The English in China, (Londres, 1974); LOYD, Christopher, “Introduction”, in SUMAREZ, Philip, Log of the Centurion. Based on the Original Papers of Captain Philip Saumarez on Board HMS Centurion, Lord Anson’s Flagship during his Circumnavigation 1740-1744, (1973), pp. 10-13.
ANSON, BARÃO GEORGE (1697-1752)
AZEVEDO, MANUEL JOAQUIM BARRADAS DE (1746-1819). Nascido em Macau e baptizado na Sé, em 1746, Manuel Joaquim Barradas de Azevedo era neto de um “reinol” que, de seu nome Gaspar Barradas de Azevedo, conseguiu prosperar no início do século XVIII investindo nos tratos mercantis da cidade e, como sempre acontecia, chegando à vereação camarária e à mesa da Santa Casa da Misericórdia. A fortuna deste primeiro Barradas de Azevedo passaria para o seu filho varão Sebastião, mas seria consolidada e ampliada pelo seu activo neto Manuel Joaquim. À imagem do avô, cerzindo estreitamente poder económico e representação política, encontrámos Manuel de Azevedo a ocupar sucessivamente os cargos de almotacé camarário, em 1778, depois de alferes-mor, em 1792, chegando no ano seguinte à prestigiada posição de juiz ordinário do, nesta altura, ainda poderoso, Leal Senado. Em 1777, um estratégico casamento com Francisca Antónia Correia de Liger permite concretizar uma aliança fundamental com uma das mais poderosas dinastias políticas e comerciais da parte cristã do enclave. Ao lado do todo poderoso António Correia de Liger, muitas vezes vereador, procurador do Senado e provedor da Santa Casa, e do seu filho Filipe Correia de Liger, Manuel Barradas de Azevedo investe regularmente vários milhares de taéis de prata, sobretudo a partir de 1779, nos barcos e principais destinos comerciais animados por Macau: da Cochinchina a Surate, de Timor a Batávia. Acabaria por falecer na Sé, em 1819, mas deixando descendência que continuou a sua lucrativa actividade mercantil, mas já conveniente e estrategicamente baptizada com o poderoso apelido de Correia de Liger. Bibliografia: SOUSA, Ivo Carneiro de, A Outra Metade do Céu de Macau. Escravatura e Orfandade Femininas, Mercado Matrimonial e Elites Mercantis (Séculos XVI-XVIII), (Macau, 2006).
AZEVEDO, MANUEL JOAQUIM BARRADAS DE (1746-1819)
AZEVEDO, JORGE PEREIRA DE (?-?). Soldado, capitão e comerciante português que viveu no século XVII. Pouco se sabe dele. No entanto, deixou um manuscrito sobre o relato das suas viagens pelo Oriente, encontrando-se uma das cópias na Biblioteca da Ajuda, com o título Advertência de muita Importância há Magestosa Coroa del Rey N. Sor D. João V e Apresentadas ao Conselho de Estado da Índia na Mão do V Rey D. Filipe por Jorge Pereira(?) de Azevedo, Morador na China em 1646 (cód. 54-XI-21-9). No referido documento fornece uma visão geral do império português do Oriente, por onde passou, realizando em simultâneo uma análise crítica sobre a decadência do mesmo, sugerindo diversas maneiras de ultrapassar a crise utilizando os recursos existentes. Refere que o Estado da Índia se encontrava completamente miserável e era pouco evangelizado, indicando que a Coroa portuguesa corria sérios riscos de o perder. Na sua opinião, havia uma má gestão do mesmo. Começa o texto destacando que teve uma experiência de vinte e quatro anos na Índia, servindo como militar, mas ao mesmo tempo como comerciante, referindo ser prática na época. Fundamenta as advertências que faz ao rei D. João V através da experiência adquirida nas zonas em análise, como militar, mas essencialmente como comerciante. O relato das suas viagens começa em Moçambique, onde afirma ter conhecido a zona dos rios Cuama, e as cidades de Mombaça e Melinde. Ao longo do texto vai indicando nomes de capitães, como o de Nuno Álvares Botelho, capitão do navio onde viajou, atravessando o estreito de Mascate e aportando a Diu. Percorreu também a área de Samatra, dizendo que foi através dos holandeses que visitou Jacarta. No entanto, diz concretamente que até à data da redacção do documento não tinha estado no Bornéu, Macassar, Solor e Timor. Indica que a época mais próspera para a gente lusa no Oriente foi quando se deslocavam por ano nove naus com cerca de quinhentos a mil homens. Relativamente a Macau, a que dedicou uma parte do manuscrito, visitou-a por volta de 1643, referindo haver um número muito elevado de mulheres cristianizadas. Considera que a viagem do trato ao Japão já não era suficiente, devido ao crescimento excessivo da cidade. No texto vai tomando em consideração várias hipóteses de como Macau se recuperar devido à perda do comércio com o Japão e a tomada de Malaca pelos holandeses, sugestões baseadas em rotas comerciais alternativas dentro da zona. Todo o texto está escrito de forma fluente e, aparentemente, com conhecimento directo dos lugares indicados. Bibliografia: MATOS, Artur Teodoro de (ed.), “‘Advertências’ e ‘Queixumes’ de Jorge Pinto de Azevedo a D. João IV, em 1646”, in Povos e Culturas, n.° 5, (Lisboa, 1996), pp.431-545.
AZEVEDO, JORGE PEREIRA DE (?-?)
ARRIAGA, OUVIDOR MIGUEL DE (1776- 1824) (SILVEIRA, MIGUEL JOSÉ DE ARRIAGA BRUM DA). Filho segundo de uma família que entroncava nos primeiros povoadores do Faial, biscainhos e flamengos, Miguel nasceu a 23 de Março de 1776. Após ter cursado Leis em Coimbra, foi nomeado, com 24 anos de idade, Juiz do Crime do Bairro da Ribeira em Lisboa, sendo em 1780 promovido a Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação do Brasil. Pouco depois, embarcava para Goa como Desembargador da Relação, em trânsito para Macau para ocupar o lugar de Ouvidor, com um novo Regimento da Ouvidoria, onde chegaria em Julho de 1802. As nomeações para todos estes cargos viriam na sequência deste jovem fidalgo da Casa Real, ou da sua família, mover largas influências na Corte, por amizades antigas ou laços de parentesco que não deixariam de o apoiar durante a sua longa permanência no Extremo-Oriente. Chegado a Macau em 1802, tomou posse em Janeiro do ano seguinte como Ouvidor, Juiz dos Órfãos e Ausentes, Provedor da Comarca, Juiz da Alfândega e Presidente da nova Junta de Justiças. Na reforma da política ultramarina pretendida por Martinho de Melo e Castro e por Pina Manique, ao tempo de D. Maria I, Arriaga recebia uma vasta ampliação de poderes inerentes ao cargo de Ouvidor, que o iriam lançar definitivamente neste território, de tal forma que, sendo o cargo trienal, iria ser prolongado por 22 anos, até à sua morte. Jovem, astuto, ambicioso, letrado e com extraordinários dotes de persuasão, nos primeiros anos foi ganhando paulatinamente prestígio, tomando conta da administração da Real Caixa Pública, sem afrontar o Senado e dificultando a manobra dos comerciantes estrangeiros. Rapidamente, Miguel de Arriaga viria a afirmar-se como o grande paladino da autonomia do Senado e dos comerciantes de Macau, face ao centralismo da Coroa, tornando- se na grande eminência do Território, mesmo sem chamar a si, formalmente, o poder político. Em 1806, teria o seu primeiro momento de glória com o recruta¬mento de um novo cirurgião que introduziu a vacina anti-variólica em Macau. Logo de seguida era nomeado um novo Governador, Bernardo Aleixo de Lemos e Faria, que muito iria pactuar e ceder às pretensões de Arriaga. Em 1808, casava com Ana Joaquina de Almeida, filha de um dos principais comerciantes locais de anfião (ópio), Januário Agostinho de Almeida, generoso financiador da Coroa refugiada no Rio de Janeiro, excelente elo de ligação com os rajás de Bengala e os mandarins do Sul de Cantão, ligados ao tráfico, e futuro Barão de S. José de Porto Alegre. Tudo parecia caminhar para um corolário auspicioso quando, em Julho, Bernardo de Lemos e Faria foi substituído por Lucas José de Alvarenga, um homem adverso à política demasiado autónoma do Senado e de Arriaga. Logo a seguir chegou a Macau uma frota inglesa comandada pelo almirante William Drury, que pretendia ocupar a cidade sob o pretexto de protecção, na sequência da Guerra Peninsular e da iminência de um ataque francês àquele território no sul da China. Miguel de Arriaga desdobrar-se-ia então em múltiplos contactos, num conluio com as autoridades chinesas, até conseguir a retirada inglesa, o descrédito de Alvarenga e o retorno de Lemos e Faria. Estes tratos com os mandarins do Sul da província de Cantão levá-lo- iam, mais tarde, a um obscuro acordo nas vésperas do aprisionamento, pelos portugueses, do rebelde Kam-Pau-Sai (Zhang Baozai 張保仔). Quando, após esta acção comandada pelo comandante José Alcoforado sobre um homem muito procurado pelas auto¬ridades da dinastia Qing 清, fazia prever que Macau receberia uma importante compensação monetária, a reposição dos antigos privilégios e o retorno de um bispo português à diocese de Pequim (Beijing 北京), nada disto aconteceu, ficando Arriaga sob a suspeita dos seus inimigos, que o acusavam de mero aproveitamento pessoal, de desvio de bens públicos e de enganar o próprio Príncipe Regente, que atribuiria o título de ‘Leal’ ao Senado, ao mesmo tempo que saíam frustrados os principais objectivos portugueses. Arriaga, bem protegido no Rio de Janeiro pelo Conde de Araújo e em Macau pelos principais homens-bons, a tudo resistia por enquanto. Mesmo o seu substituto, Guimarães Peixoto, que chegara em 1810, ainda no mesmo ano sofreria o vexame de ser mandado regressar. Miguel de Arriaga teria assim oportunidade de capitalizar mais simpatias com a institucionalização da lotaria, em Junho do já referido ano. Senhor de um extraordinário poder, viu, contudo, uma outra personagem, o Governador de Goa, o Conde de Sarzedas, afirmar-se gradualmente como seu inimigo e, a partir de 1818, os desígnios de Miguel de Arriaga começavam a inverter-se. O Tribunal da Relação de Goa acusava agora o Senado de Macau de ser um corpo de parentes, contrário às disposições régias, e Sarzedas invectivava Arriaga por, sendo tão hábil, pa¬recer inoperante em conseguir dos dignitários chineses a concretização dos compromissos assumidos com a questão de Kam-Pau-Sai (Zhang Baozai 張保仔). Ao mesmo tempo, o Ouvidor procurava, novamente, impor Alvarenga em substituição de Lemos e Faria. Porém, não o conseguiu, muito por intervenção do Conde da Barca, Araújo de Azevedo. E nem mesmo os novos acordos assinados por Arriaga com o rei do Sião mudariam os ventos que lhe eram adversos. Em simultâneo com a onda liberal, cujos ecos começavam a chegar da Europa, avolumavam-se as suspeitas de favorecimento pessoal nas negociações acerca de Kam- Pau-Sai (Zhang Baozai 張保仔), para além de mais vozes se levantarem contra o facto de o Ouvidor poder estar cada vez mais envolvido em actos ilícitos de comércio ligados ao anfião. Fosse pelas ideias políticas, fosse pelos negócios, fosse ainda pelos dinheiros que manuseava enquanto Juiz dos Órfãos, pelo controlo da lotaria, pelo controlo aduaneiro, ou pelos empréstimos do “dinheiro de risco”, o certo é que Miguel de Arriaga, personagem quase omnipotente, cercou-se de uma sombra de suspeição que passava, igualmente, pelo conluio com Bernardo de Lemos e Faria e com os Condes de Anadia e da Barca. Após longos anos de uma magistratura concentracionária, defensor de uma política de poder absoluto e de proteccionismo económico, dificilmente poderia aderir ao espírito liberal nascente em Portugal. Com o estabelecimento do regime constitucional, os liberais de Macau não perdoaram. Em 1820, seria derrubado o Senado e feitos prisioneiros os vereadores absolutistas. Por seu lado, Arriaga veria caírem sobre si acusações de apropriação de dinheiros públicos e acabaria destituído do cargo de Ouvidor. Ainda fez um dramático apelo de clemência, mas nem assim parecia poder escapar à expulsão do Território. Só o contra-golpe provocado pela chegada do navio Salamandra, em Setembro de 1822, travaria os ímpetos liberais. Numa precária situação de consenso, vários homens sairiam do território, como aconteceu com o Barão de S. José de Porto Alegre, o sogro, ficando Miguel de Arriaga isolado em Macau. Pouco mais resistiria, falecendo em 13 de Dezembro de 1824, sem chegar a conhecer a última mercê régia, a Torre e Espada. Sagaz, ambicioso, manobrador político e patriota, Miguel José de Arriaga Brum da Silveira não deixa de ser um dos paradigmas da diáspora açoriana, à procura das oportunidades que a terra natal lhe não deu. Foi, acima de tudo, humano nas suas grandezas e misérias, tanto nos interesses pessoais que defendeu como nos da terra que o acolheu. Bibliografia: COATES, Austin, Calçadas da História, (Lisboa, 1991); FRANÇA, Bento da, Subsídios para a História de Macau, (Macau, 1888); GOMES, Luís Gonzaga, Páginas da História de Macau, (Macau, 1966); SOUSA, Acácio de, “Miguel de Arriaga, o Homem e a Época”, in Revista de Estudos Luso-Asiáticos,, (Macau, 1992); SOUSA, Acácio Fernando de, “O Ouvidor Arriaga em Macau: Políticas e Comércios”, in Actas do Congresso Internacional “Portos, Escalas e Ilhéus no Relacionamento entre o Ocidente e o Oriente”, 2 vols., (Ponta Delgada, 1999); TEIXEIRA, Padre Manuel, Miguel de Arriaga, (Macau, 1966); TEIXEIRA, Padre Manuel, Os Ouvidores em Macau, (Macau, 1976).
ARRIAGA, OUVIDOR MIGUEL DE (1776- 1824) (SILVEIRA, MIGUEL JOSÉ DE ARRIAGA BRUM DA)
Inácio Sarmento de Carvalho era filho de Lopo Sarmento de Carvalho, reinól, fidalgo e casado, e de Maria Cerqueira, natural de Macau, filha e neta, por lado materno, de gente local. Inácio nasceu em Macau, embora não se saiba a data exacta. Contudo, um relatório oficial dos seus serviços indica que assentou praça em 1636. Apesar de ter sido macaense, passou quase toda a sua vida de adulto na zona da Índia e de Moçambique. Foi casado com D. Mariana do Couto e teve pelo menos uma filha, D. Ana Sarmento. Em 1642, foi feito prisioneiro pelos holandeses, tendo sido resgatado a troco de alta quantia, devido à sua filiação. Não se sabe se foi feito prisioneiro em Ceilão, quando os holandeses atacaram a região, ou se em Malaca. Em 1643 encontrava-se em Gale, Ceilão, porque participou de forma vitoriosa na batalha de Couraça. Em 1644, o vice-rei de Goa, Conde de Aveiras, conseguiu junto dos holandeses uma trégua por dez anos. No entanto, no ano seguinte foi para Macau, ano em que faleceu o pai. Devido à decadência da Cidade do Santo Nome de Deus e ao estado caótico em que se encontrava o sul da China, em virtude da mudança dinástica e da consequente guerra civil que teve lugar um pouco por todo o território chinês, Inácio Sarmento decidiu ir viver para a Índia com toda a sua família. Na realidade, o seu pai tinha solicitado ao monarca português que fosse autorizado o seu regresso a Portugal com todos os seus familiares, tendo em atenção que tinha desempenhado trinta e seis anos de serviço activo em prol de Portugal. Tal pedido foi autorizado, tendo contudo falecido pouco depois sem realizar a sua pretensão. O seu filho Inácio não fez mais do que cumprir a última vontade do pai. A viagem teve lugar em 20 de Dezembro de 1646, em oito navios, com casados e membros da elite macaense que resolveram procurar refúgio em Goa. O vice-rei D. Filipe Mascarenhas não gostou da atitude do fidalgo, pois a falta dos elementos da elite macaense, e sobretudo de capital, em Macau era o suficiente para a perda da cidade. Igualmente, o facto do seu pai não ter pago as dívidas relativas à compra das viagens do Japão serviu para acrescer a irritação do vice-rei. A situação foi ultrapassada pela oferta de presentes que ascenderam a cerca de 50.000 xerafins. Permaneceu nove anos em Goa e não se encontram referências a situações que envolvessem o fidalgo. Em 1655 foi nomeado capitão-mor de Diu, mas foi igualmente nesse ano e no seguinte que os dois irmãos, Joseph e Domingos, morreram em Ceilão, ambos lutando contra os holandeses. Quando Inácio Sarmento de Carvalho assumiu o cargo de Diu, a praça encontrava-se em fase de decadência e ameaçada pelas sucessivas conquistas holandesas. Embora durante os três anos em que foi governador, Diu não tivesse sido atacada, adoptou medidas defensivas. Tais atitudes, ou o comportamento do fidalgo face às gentes locais, foram tão bem aceites que foi escrito um memorial ao governador da Índia, agradecendo-lhe a nomeação de Inácio Sarmento. Em 1658 foi nomeado capitão-geral da Costa do Norte. Junto dele estava o seu primo Urbano Fialho Ferreira, filho de Catarina Cerqueira, irmã da sua mãe, e do fidalgo português António Fialho Ferreira. O cargo dizia respeito ao comando das forças portuguesas na costa do Malabar. Inácio Sarmento tomou posse do governo em Cochim. Conseguiu recuperar dos holandeses a fortaleza de Coulão. Nessa altura, Cochim encontrava-se numa luta interna pela sucessão do monarca local, o que levou os portugueses a optar por um dos partidos que julgavam legítimo. Tomou o porto de Aycota ao Samorim, exigindo que este ajudasse a expulsar os holandeses a troco do porto. Em 1660, o general holandês Rijkloff van Goens apareceu na costa do Malabar a fim de atacar qualquer porto, não o fazendo devido a crer que Sarmento estava bem preparado para se defender de um possível confronto. No ano seguinte, conseguiu tomar Coulão e rapidamente a sua atenção centrou-se em Cranganor, situada a norte de Cochim. O governador era Urbano Fialho Ferreira, primo de Sarmento, que pereceu durante a batalha. A tomada de Cochim parecia ser relativamente fácil, devido ao seu isolamento. No entanto, apesar dos sucessivos ataques, não a conseguiram tomar. Nessa época, já as pazes com a Holanda tinham sido aceites, com Portugal, mas devido aos interesses económicos em jogo os directores da companhia de comércio holandesa tentaram conquistar Cochim, antes de se saber que tal acordo tinha sido alcançado. Em 1662, novas forças holandesas sob o mesmo comando aprontaram-se para atacar a praça portuguesa. Nessa data, o novo governador da Índia, António de Melo e Castro, chegou acompanhado de Lord Marlborough, que tinha ido tomar conta de Bombaim, cidade cedida à coroa britânica devido ao casamento de D. Catarina com Carlos II. Em sequência dos acordos que envolviam esta aliança, tentou-se que os ingleses auxiliassem contra os holandeses. A 6 de Janeiro de 1663, os holandeses desencadearam o último ataque, desalojando os portugueses. A perda da praça não foi atribuída a Sarmento de Carvalho, que obteve do rei D. Afonso VI a capitania de Goa, assim como a licença de voltar ao reino. Não só não regressou, como depois de dois anos a servir a capitania de Goa, recebeu a capitania das Fortalezas do Norte, com poderes de vice-rei. Chegou a Baçaim, sede do governo, em Maio de 1665. Em 1667 foi nomeado capitão-geral de Moçambique. Não existe muita documentação sobre o assunto, excepto sobre uma desordem nos rios de Cuama e os seus atritos com o desembargador António Pereira de Attayde. Sobre o primeiro, Sarmento de Carvalho deslocou-se pessoalmente para tratar do assunto. Com a sua ausência, os árabes atacaram a fortaleza de Moçambique, que foi bem defendida pelo alcaide-mor Gaspar de Sousa Lacerda. Não existe a certeza de ter sido capitão de Chaúl, como indica uma fonte inglesa. Sarmento de Carvalho morreu assassinado pelo seu genro, João Correia de Sá, em 1676. Este, filho do conhecido Salvador Correia de Sá e Benevides, que se tinha distinguido em Angola, foi para o Oriente com o posto de geral do Estreito de Ormuz e Mar Roxo. Igualmente se notabilizou nas lutas pela Restauração, tanto no Alentejo, como no Brasil. Enviado preso para o reino pelo assassínio do fidalgo, conseguiu fugir para Espanha, onde se tornou a casar. Sarmento de Carvalho, nos quatro anos em que esteve na costa do Malabar, contribuiu decisivamente para o adiar das conquistas holandesas sobre as praças portuguesas da zona. Bibliografia: BOXER, CharlesR., Breve Relação da Vida e Feitos de Lopo e Inácio Sarmento de Carvalho, Grandes Capitães que no Século XVII Honraram Portugal no Oriente, (Macau, 1940); TEIXEIRA, Padre Manuel, Vultos Marcantes em Macau, (Macau, 1982).
CARVALHO, CAPITÃO INÁCIO SARMENTO DE (?-1676)
| Fonte: | Arquivo de Macau, documento n.ºMNL.09.05.F |
| Entidade de coleção: | Arquivo de Macau |
| Fornecedor da digitalização: | Arquivo de Macau |
| Tipo: | Imagem |
| Fotografia | |
| Fotografia de grupo | |
| Preto e branco | |
| Formato das informações digitais: | TIF, 2000x1387, 2.65MB |
| Identificador: | p0004345 |
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