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Data de atualização: 2024/04/18
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Durante os governos de Horta e Costa (1894-1897/1900-1904) procedeu-se ao saneamento do Tap Seac (Tashi 塔石), Sa Kong (Shagang 沙崗) e Mong Ha (Wangxia 望廈) e foi planeada a Avenida Horta e Costa, cujos trabalhos teriam início apenas em 1915, e abertas as de Vasco da Gama e da República. Tocada por alguma prosperidade financeira, Macau foi objecto de um plano de saneamento geral determinado pela portaria de Janeiro de 1905, e por um movimento de expansão que é acompanhado pelo primeiro “regulamento dos serviços das obras particulares e de salubridade das edificações urbanas da cidade de Macau”. Os censos de 1910 davam a Macau uma população total de 65.733 habitantes, contando a comunidade chinesa com 62.732 elementos. As fachadas em arcada e varanda começam a caracterizar a paisagem urbana dos finais de oitocentos e de princípios do século seguinte, restando hoje alguns belos exemplares dessa linha, nomeadamente, a N°. 83, da Rua da Praia Grande; N°. 29 da Rua do Campo, os palacetes e moradias conhecidos por “Casa Branca”(1916), “Vila Flor” e “Vila Alegre” (1917/18), actual Escola Leng Nam (Lingnan Xuexiao 嶺南學校), as habitações das Ruas Pedro Nolasco, N°s. 33/35 e 24/28, D. Belchior Carneiro, N°. 15, Estrada Coelhodo Amaral, N°. 44, Travessa dos Bombeiros, N°. 8, Rua do Volong, N°. 36, assim como vários edifícios públicos e unidades hoteleiras. Dos anos vinte são também as moradias da Avenida Cons. Ferreira de Almeida, cujo restauro deu a Macau o “Grande Prémio Anual da Defesa do Património”, instituído pela PATA (Associação de Turismo da Ásia-Pacífico), edifícios onde ainda hoje se encontram instalados a sede da Biblioteca Central, o Arquivo Histórico, o edifício que foi da Direcção dos Serviços de Educação, adaptado nos anos 90 para galeria de exposições, e as moradias adquiridas pela Fundação Oriente nas quais se encontra a sede do Instituto Português do Oriente (N°. 95). Em 1927 foram inaugurados o bairro social Tamagnini Barbosa, o Hipódromo e, em 1931, o Edifício dos Correios. Começam então a surgir em Macau os sinais que já a arquitectura europeia e americana iam apresentando. Aparecem alguns exemplos de arte de decoração Arte Nova, como as fachadas do edifício com os números 73/77 da Avenida Almeida Ribeiro e as portas laterais da Caixa Escolar. Mas é nas décadas de 30 e 40 que vamos encontrar exemplos mais evidentes do modernismo em Macau, como são os casos da Escola Primária Pedro Nolasco da Silva e Escola Luso-Chinesa Sir Robert Ho Tung. No dia 10 de Dezembro de 1953, o governador Marques Esparteiro (1951-56) nomeou uma comissão para estudar a situação do património arquitectónico macaense. Com o governador Silvério Marques (1959-62), continuou o interesse pelo património construído, pelo que foi nomeada uma outra equipa de trabalho. O desenvolvimento económico que Macau experimentava na altura deu lugar a uma expansão urbana desenfreada, facto que levou aparecimento dos “arranha-céus” e ao desaparecimento de edifícios mais antigos. A inauguração do Hotel-Casino Lisboa, em 1970, simboliza o início da expansão acelerada desse fenómeno. Começou-se, então, a sentir que era urgente uma política de preservação do património, numa vertente mais moderna, em que não só os monumentos mas também os conjuntos de edifícios, ou lugares, com autenticidade e valor antropológico, passassem a ser tidos em conta. Tais medidas só foram postas em prática no tempo do governador Nobre de Carvalho (1966-1974), que nomeou uma nova comissão em 1974, agora não somente interessada em classificar monumentos ou edifícios de apreciável concepção arquitectónica, mas, igualmente, os conjuntos e lugares que, segundo as novas concepções, deveriam ser preservados. Já em tempo do governador Garcia Leandro (1974-79), é inaugurado o Jardim de Lou Kau (Lujiu Gongyuan 盧九公園), em 1974 (reabilitado em 1993; também conhecido por Lou Lim Iok (Lulianruo Gongyuan 盧廉若公園)), um marco na preservação patrimonial de Macau. Contudo, ter-se-ia que esperar até 1976 para ver surgir a legislação mais importante sobre a temática. Trata-se do Decreto-Lei N°. 34/76/M, considerado como uma legislação “verdadeiramente pioneira em toda a Ásia”. Deste modo, é nomeada a Comissão de Defesa do Património, com o objectivo principal de gerir o parque patrimonial macaense, fazendo parte dela historiadores, intelectuais e arquitectos, nomeadamente, Padre Manuel Teixeira, Padre Videira Pires, Luís Gonzaga Gomes, Dr. Túlio Tomaz e o Arquitecto Francisco Figueira. A este último se ficou a dever muito do esforço que, na altura, ainda poucos sectores da população de Macau direccionavam para a preservação do seu património construído, porque “Defender o património é defender Macau”, na conhecida expressão de Figueira. Esta luta viria a dar os seus frutos, pois logo em 1984 a legislação sobre a preservação do património foi revista, através dos Decreto-Lei N°56/84/M, vindo a consolidar definitivamente a política de preservação patrimonial, nomeadamente com o recurso a incentivos fiscais. No início da década seguinte é publicada no Boletim Oficial, N°. 52, de 31.12.92, a Relação de Monumentos Classificados, assim como o Decreto-Lei N°. 83/92/M, sobre o Património, distinguindo, para além da mencionada na referida Relação, 44 edifícios de interesse arquitectónico, 11 conjuntos e 21 sítios na cidade de Macau e nas ilhas da Taipa e Coloane. Neste período, que vaidos finais da década de 80 e princípios da seguinte, verificou-se um grande surto de progresso em Macau que libertou dividendos suficientes para a aquisição e reabilitação de peças arquitectónicas importantes, não só pela Administração do Território como da parte da Fundação Oriente, organismo oficialmente criado em 1988 e largamente dotada de fundos financeiros. São de mencionar, entre outras, as obras de beneficiação na Avenida Cons. Ferreira de Almeida, no Bairro de S. Lázaro, do Teatro D. Pedro V e do conjunto da Avenida Almeida Ribeiro, aqui com verbas geridas pelo Instituto Cultural de Macau (ICM) e Leal Senado (LS). Mas uma iniciativa legislativa, mais ligeira porém, vem marcar o período que vai de 1991 a 1993, assistindo-se ao finalizar da reabilitação do decadente edifício onde funcionou o Liceu Central e depois a Direcção dos Serviços de Saúde, o restauro dos templos chineses de Hong Kong Mil (Kanggong Miao 康公廟) (Templo do Bazar), Lin Ka Mil (Lianxi Miao蓮溪廟), do Hotel Bela Vista, actualmente residência do Cônsul-Geral de Portugal em Macau, e do antigo Hospital de S. Rafael, onde se encontra instalado o Consulado-Geral de Portugal em Macau. Em resumo, o Património Arquitectónico de Macau é parte integrante de um conjunto mais vasto de bens e valores herdados do passado, o qual, para além de constituir o suporte histórico, participa do presente das suas comunidades. Esse património possui um conjunto de características que se expressam nas arquitecturas seguintes: 1. Cidade Cristã ou Cidade Tradicional Portuguesa. 2. Bazar Chinês. 3. Porto Interior. 4. Praia Grande. 5. Barra e Penha. 6. Envolvente da Avenida Cons. Ferreira de Almeida e Rua Ferreira do Amaral. 7. Mong Ha (Wangxia 望廈) e envolvente das Avenidas Horta e Costa e Coronel Mesquita. [J.A.A.]Bibliografia: AMARO, Ana Maria, Das Cabanas de Palha às Torres de Betão: Assim Nasceu Macau, (Lisboa, 1998); ANDRADE, António, “Do Portuguesíssimo Sentimento da Última Lágrima”, in MacaU, 2a. ser., n.° 14, (Macau, Jun. 1993), pp.04-23; CALADO, Maria et alii, Macau: Cidade Memória no Estuáriodo Rio das Pérolas, (Macau, 1985); COSTA, M. Lourdes R., “Testemunhos Demolidos da História”, in MacaU, 1a. série,n.° 12, (Macau, 1988), pp. 24-28; FIGUEIRA, Francisco, “Defendero Património, Defender Macau”, in MacaU, 1a. série, n.°1, (Macau, Jan.-Mar. 1981), pp. 20-29.
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO de Macau no Século XX
O famoso arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino faleceu em Macau a 21 de Junho de 1852. Da terceira geração da família macaense 'Aquino' de Macau, nasceu em S. Lourenço a 27 de Agosto de 1804. Estudou no Colégio de S. José em 1818 embarcou para Lisboa onde se mtriculou no Colégio Luso-Britânico, nas cadeiras de matemática, desenho e comércio, obtendo carta patente passada pelo Tribunal do Comércio de Lisboa, após o que regressou a Macau em 1825. É autor dos projectos de alguns dos mais importantes edifícios do seu tempo em Macau- palácio do Barão do Cercal, na Praia Grande (hoje Palácio do Governo), a casa de José Vicente Jorge (demolida), a casa das 16 colunas (demolida para dar lugar ao Instituto Salesiano), reconstrução da Igreja de S. Lourenço, reconstrução da Sé, etc. Era proprietário, tenente do Batalhão Provisório de Macau e capitão da barca «Margarida». Foi aomotacé (1840), vereador (1841) e juíz ordinário do Leal Senado (1842) e sóco do Ateneu das Belas Artes de Lisboa (1839).
José Agostinho Tomás de Aquino faleceu em Macau
| Fotografia: | Tang Vai In |
| Fonte: | Staci, Chio Ieong and Terence, Hun Kuong U (coordenação de edição), Cinquenta anos num olhar : meio século documentado pela Associação Fotográfica de Macau, Museu de Arte de Macau, 2008, p. 239. ISBN 978-99937-59-72-0 |
| Direito de propriedade: | Associação Fotográfica de Macau |
| Fornecedor de trabalho digital: | Associação Fotográfica de Macau |
| Autorização: | Autorização de uso concedida à Fundação Macau pela Associação Fotográfica de Macau. |
| Idioma: | Chinês |
| Português | |
| Inglês | |
| Tipo: | Imagem |
| Fotografia | |
| A cores | |
| Identificador: | p0014459 |
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