Em Março de 1857, reuniram- se em assembleia vários moradores de Macau com o fim de organizarem uma subscrição para se obterem fundos para a construção de um teatro em Macau. Foram tão bem sucedidos que, um ano depois, num terreno concedido pelo Governo do território, estava quase concluído o teatro D. Pedro V, nome do monarca reinante na época. O risco e a direcção da obra foram da responsabilidade do macaense Pedro Germano Marques, que embora não fosse engenheiro nem arquitecto, conseguiu dar à construção um cunho original e nobre. A actual fachada do Teatro D. Pedro V, com as suas colunas neoclássicas, foi desenhada pelo Barão do Cercal, em 1873, e construída nesse mesmo ano, aquando dos primeiros grandes trabalhos de renovação do conjunto arquitectónico. Em 1918, a sala de espectáculos e anexos foram de novo restaurados. Nos anos setenta e noventa do século XX, o teatro foi uma vez mais sujeito a grandes obras de beneficiação e manutenção, que fazem hoje do pequeno edifício verde e branco uma das mais emblemáticas construções da Macau antiga. O Teatro D. Pedro V situa-se no coração histórico de Macau, no Largo de Santo Agostinho, paredes-meias com o seminário de S. José, diante da igreja de S. Agostinho e de Vila Flor, a antiga residência dos padres jesuítas. Ao longo de quase século e meio de vida, passaram pelo seu pequeno palco os mais diversos tipos de espectáculos, récitas, teatro, óperas – com destaque para as companhias de ópera italianas que, no século XIX, se deslocavam até Macau -, concertos, bailados e sessões de cinema, conferências, sessões solenes, festas de homenagem, etc.. Ficaram famosas, nos anos cinquenta e sessenta do século XX, as récitas em Patuá, o dialecto macaense, que se realizavam quase sempre no Carnaval e enchiam o Teatro D. Pedro V de gente de Macau, agradada e divertida. No início dos anos 1980, o teatro acolheu, durante vários anos, até o espectáculo ser transferido para o Hotel Lisboa, o Crazy Horse Club Show, com bailarinas vindas directamente de Paris para dançarem com pouca ou nenhuma roupa, entretendo um público quase todo chinês, predominantemente vindo de Hong Kong, e que tinha assim a oportunidade de contemplar a nudez de duas dezenas de Formosas mulheres do Extremo Ocidente. Até muito recentemente, e apesar de abertos novos espaços para as mais diversas manifestações de arte e cultura, foi o Teatro D. Pedro V o palco privilegiado da vida artística e cultural da cidade de Macau. [A.J.G.A.]
Bibliografia: GOMES, Luís Gonzaga, Efemérides da História de Macau, (Macau, 1954); TEIXEIRA, Padre Manuel, O Teatro D. Pedro V, (Macau, 1971).

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Data de atualização: 2022/11/04