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1771

Em Julho de 1771, de novo em Macau, para um 2º mandato, toma posse Diogo Fernandes Salema de Saldanha que segue no cargo até 1777. O ópio aparece como “deus ex-maquina”. V. Governadores de Macau, Coordenação de Jorge Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha. Investigação e textos de Paulo Sousa Pinto, António Martins do Vale, Teresa Lopes da Silva e Alfredo Gomes Dias. Editora Livros do Oriente, Portugal, 2013, pp. 123 a 125. No dia 26 de Julho de 1771, “Salema e Saldanha retoma o governo, vago pela morte de D. Rodrigo de Castro; este fora nomeado pela terceira vez Governador de Macau em 1771 [V. Lista de Capitães Gerais e Governadores de Macau, nesta Cronologia]; mas o navio em que vinha naufragou ao Sul de Cochim, sendo vários náufragos feridos pelos moiros, que mataram Manuel Caetano, escrivão do sindicante João Diogo Guerreiro e Alvim. O Governador D. Rodrigo salvou-se do naufrágio, mas faleceu na viagem para Macau”. Parece algo duvidosa esta informação. O Governador Castro não precisava de ser nomeado em 1771, visto estar em exercício pela 2.ª vez apenas desde 29 de Julho de 1770. Terá viajado durante o mandato, sofrendo o naufrágio e, mais tarde, a morte? Mons. Teixeira, que dá a notícia a pp. 551 do seu livro Macau no Séc. XVIII, apontando a data de 1771 para a 3.ª nomeação do Governador Castro surpreende quanto à mesma ao apresentar outra data (1774) a pp. 586 da citada obra. Devido a algumas lacunas de informação que rodeiam este acontecimento, e sem pretender o encontro da verdade final, apresento uma sugestão possível no registo desta Cronologia…, 1752, Julho, 29.

1826

No Museu de Macau (informa The Macao Review de Nov. e Dez. 1930, p. 181, com il.) existe uma travessa de serviço de jantar mostrando o Brilhante , navio que veio a Macau pela primeira vez em 27 de Julho de 1826, da América do Sul, de San Blas (Argentina). Foi a primeira bandeira de um estado sul-americano independente a ser vista em Macau, depois da secessão com Espanha. O barco acabou por quebrar em Macau, depois de um bom número de viagens. Entre os passageiros vinha “Mr. João António Alves, natural de Selavisa, Portugal, com objectivos ligados ao florescente comércio de Macau”. Tornou-se um proprietário de boa reputação e construiu uma “armação” na Praia do Manduco. Tinha transacções com a firma “Russel & Co.”, entre outras. Comprou a figura de proa do Brilliant , uma mulher, quando ele foi destruído e mandou fazer um serviço de porcelana com o barco reproduzido em cada peça.

1866

No dia 26 de Julho de 1866, o Governador José Rodrigues Coelho do Amaral partiu, na qualidade de Ministro Plenipotenciário, para o Japão, sendo os restantes membros da missão: Gregório José Ribeiro, Dr. Lúcio Augusto da Silva e Jerónimo Osório de Castro Cabral Albuquerque.

1872

No dia 26 de Julho de 1872, a Portaria Provincial Nº. 48 determina a construção de uma bateria em forma de luneta na ponta da praia de S. Francisco, para as peças de grosso calibre.

1948

BELO, D. CARLOS FILIPE XIMENES (1948- ). Nascido na pequena aldeia de Walakama, perto de Vemasse, a 3 de Fevereiro de 1948, quinto filho de um professor primário, Domingos Vaz Filipe, e de Ermelinda Baptista Filipe, D. Carlos Filipe Ximenes Belo assistiria ao falecimento do seu pai com apenas dois anos. Seguiu o itinerário educativo das escolas católicas de Baucau e Ossu, graduando-se mais tarde, em 1960, no colégio de Dare. Depois de demorada formação sacerdotal salesiana em Macau e Portugal, D. Ximenes Belo viria a ordenar-se sacerdote a 26 de Julho de 1980. Regressa a Timor um ano mais tarde, em Julho de 1981, tornando-se professor e mesmo, durante um curto período, director do colégio salesiano de Fatumaca. Depois da resignação de Monsenhor Martinho da Costa Lopes, em 1983, acabaria D. Ximenes Belo, a 21 de Março de 1988, por ser apontado administrador apostólico de Díli e bispo titular de Lorium, recebendo o título episcopal a 19 de Junho desse mesmo ano. Imediatamente, em 1989, o novo administrador apostólico da capital de Timor Leste escreve ao então secretário-geral das Nações Unidas, Javier Perez de Cuellar, denunciando a situação humana do território e a repressão difícil da ocupação militar e política indonésia. Em 1989, coube a D. Ximenes Belo acolher a visita de João Paulo II, oficialmente o responsável pela diocese de Díli, mobilizando intensamente a população de maioria católica do território. A partir daqui, a biografia de D. Carlos Filipe Ximenes Belo torna-se progressivamente mais conhecida, destacando-se o modo intransigente como defende os direitos humanos do povo timorense. Para tanto, denuncia a violenta ocupação indonésia e pugna pelos valores culturais e nacionais da parte oriental da ilha de Timor, antiga colónia portuguesa. Apesar das enormes dificuldades, muitas incompreensões e frequentes calúnias, D. Ximenes Belo não vacilou nesse caminho de defesa do direito à auto-determinação do povo timorense, concorrendo para ampliar uma resistência cívica, moral e cultural, que haveria de ganhar definitivamente eco internacional quando o bispo foi laureado com o Prémio Nobel da Paz de 1996. Abriam-se, assim, três vertiginosos anos de luta pela auto-determinação, que se concluiriam com o referendo ganho claramente pela via da independência. A violência subsequente encontraria, também, em D. Ximenes Belo, um dos mais relevantes protagonistas da defesa da identidade nacional e dos direitos do povo timorense. Mais recentemente, a 26 de Novembro de 2002, o bispo de Díli viria a resignar da sua administração apostólica, ganhando algum descanso para novas etapas vivenciais que o levam a cruzar a actividade cultural, a reflexão e também o aconselhamento das novas autoridades políticas timorenses, finalmente, eleitas democraticamente pela vontade popular expressa através do sufrágio directo universal. Até aqui, sumariam-se eventos e temas que se poderiam facilmente visitar em qualquer enciclopédia geral minimamente preocupada com o mundo actual ou com as figuras mais proeminentes do catolicismo contemporâneo. Menos conhecida é a estada de D. Ximenes Belo, entre 1975 e 1976, em Macau, para estudar no colégio salesiano de Dom Bosco, precisamente durante o período em que se concretiza a violenta ocupação militar indonésia de Timor Leste, que ecoa também, entre resistências e solidariedades, no território macaense. A passagem do bispo de Díli por Macau reveste-se de um duplo significado: recorda as ligações históricas e religiosas continuadas entre Macau e Timor e relembra, igualmente, a presença em Macau de uma comunidade timorense que sempre encontrou no território um especial apoio para a sua formação sacerdotal e intelectual. Deste modo, o itinerário macaense de D. Ximenes Belo representa um ponto de chegada da história da instalação dos salesianos em Macau, desde 1906, comunicando também com a sua vocação missionária em território timorense. A obra educativa salesiana seria marcada, sobretudo, pela inauguração, na década de 1950, do Colégio de Dom Bosco, abraçando filhos e descendentes de portugueses e concretizando um projecto de formação em língua portuguesa dirigido a muitos jovens que viriam a preencher as administrações, ofícios e igrejas coloniais no mundo asiático, de Macau a Timor. Bibliografia: CARMO, António, A Igreja Católica na China e em Macau no Contexto do Sudeste Asiático. Que Futuro?, (Macau, 1997); KOHEN, Arnold S., From the Place of the Dead: The Epic Struggles of Bishop Belo of East Timor, (Inglaterra, 1999).

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