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No dia 24 de Junho de 1622, retumbante vitória definitiva alcançada por Macau sobre os holandeses comandados por Kornelis Reyerszoon que, com 15 navios e 800 homens, pretendeu tomar a cidade. O inimigo foi completamente desbaratado ante o indómito esforço dos macaenses, capitaneados pelo denodado herói Lopo Sarmento de Carvalho. Colaboração do Pe. Rho S.J. (de passagem em Macau) a partir da Fortaleza do Monte, e protecção do Santo do Dia, S. João Baptista. Passou a ser celebrada esta data como Dia da Cidade. (Cfr. Relação a ... El Rei Filipe terceiro nosso senhor das couzas que sucederão na cidade de Macao porto da China. Feita pelos moradores e Cidadãos della no anno de 626. Macau, 1626. Biblioteca da Ajuda, Jesuítas na Ásia, cod. 49-V-6. pp. 85-88 e 163); existe também uma Relacion de la victoria…, em castelhano, que começa com “Este año de 1622 benieram los Olandeses...”, escrita com letra contemporânea, Códice CXVI/2 -11, nº 38, BP/ AD Évora. [Esta Relação tem duas observações, uma dando-lhe fé, outra designando-a de falsa...]. No ataque holandês em Macau, felizmente para a cidade, perderam a vida apenas quatro portugueses e dois espanhóis de um pequeno destacamento das Filipinas. Houve, sim, vinte feridos, mas do lado invasor o resultado foi o seguinte: 300 perdas humanas, 8 prisioneiros, perda de 10 bandeiras, um canhão, mais de 500 espingardas (que abandonaram na fuga), um navio de guerra, duas lanchas e material diverso. (Cfr. Pires, S. J. Padre Benjamim Videira. Taprobana e mais além … Presenças de Portugal na Ásia. Instituto Cultural de Macau. Macau, 1995, p. 236).
No dia 18 de Maio de 1940, foram eleitos para seguirem para o Japão como embaixadores Luiz Pais Pacheco, que foi Capitão-Mor da Viagem do Japão e os feitores desta cidade no Japão, Luís Paes Pacheco, Rodrigo Sanches de Paredes, Gonçalo Monteiro de Carvalho e Simão Vaz de Pavia; deveriam tratar do reatamento do comércio com esse país. Ficou resolvido que os embaixadores só levariam 6000 taéis para seus gastos, os quais seriam pedidos aos moradores de Macau sobre penhores e créditos desta cidade, onde existia escassez de dinheiro. Em caso de necessidade, os embaixadores poderiam contrair empréstimos, no Japão, sob o crédito da cidade. No dia 6 de Julho de 1940, a infeliz embaixada de Macau (74 pessoas) chega a Nagasaqui. A 3 de Agosto, 61 membros desta missão são decapitados e o navio queimado; os sobreviventes são enviados de volta a Macau. Dos 61 mártires leigos, de 16 nações, 14 são portugueses da Europa e 4 de Macau. No dia 3 de Agosto de 1640, o trágico acontecimento conhecido como “Embaixada Mártir” tem lugar nesta data, em Nagasáqui. Relação em DITEMA, vol. II, pp. 506 a 508, com a autorizada assinatura do Pe. Diego Yuuki, S.J..
No dia 6 de Maio de 1699 é nomeado, com posse a 22 de Junho, o Capitão-Geral Diogo de Melo Sampaio, que faz grandes reparações defensivas, entre outros benefícios. Do dia 22 de Junho de 1699 até 1702, Diogo de Melo Sampaio é Governador de Macau. Esta datação, estudada e apresentada por António Martins do Vale, derruba a posição de alguns académicos sobre o prolongamento até 1700 do Capitão Geral anterior. O Governador Melo Sampaio era natural de Goa e encontrou Macau ainda em tempo de recessão. O Bispo D. João do Casal diz que os moradores eram poucos para dinamizar o comércio. Tinham emigrado para outros pontos do Sudeste Asiático. Até para exercer funções administrativas havia míngua de gente apta. Entretanto corria a desgastante “Questão dos Ritos”. O beneplácido régio era muito selectivo em relação a missionários que entravam na China por Macau. E internamente, logo em 1700, houve questões relacionadas com as eleições para o Senado. V. Governadores de Macau, Coordenação de Jorge Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha. Investigação e textos de Paulo Sousa Pinto, António Martins do Vale, Teresa Lopes da Silva e Alfredo Gomes Dias. Editora Livros do Oriente, Portugal, 2013, pp. 74-75. V. ainda Vale, António M. do, “A População De Macau Na Segunda Metade Do Século XVIII”. In: Povos e Culturas Nº 5, CEPCEP / Universidade Católica, Lisboa, 1996, pp.241-254.
No dia 4 de Maio de 1839, o Delegado Imperial ordena aos Mandarins a elaboração de um mapa estatístico sobre a população chinesa, portuguesa e estrangeira de Macau. No dia 20 de Junho, o Recenseamento da população em Macau regista: 2.164 homens; 2.350 mulheres; 471 escravos; 627 escravas. Total 5.612 indivíduos em 720 fogos. (Cfr. Arquivo Histórico Ultramarino, 2.ª secção -Macau, 1839 a 1842). No dia 22 de Junho, o Senado envia aos Mandarins o mapa estatístico pedido a 4 de Maio anterior, mas sem as classificações pretendidas, tendo eles ficado satisfeitos.
No dia 22 de Junho de 1846, o Procurador oficiou ao Mandarim Tso-Tang expondo que, não tendo sido dada providência ao roubo cometido na pessoa do zoólogo dinamarquês Behu da fragata Galathea, por quatro chineses, na falda da colina da Guia, os soldados receberam ordens do Governador Amaral para fazerem fogo sobre qualquer chinês que desse indício de querer roubar, ficando o Mandarim responsável por qualquer resultado. [A fonte desta notícia encontra-se em 1846, Abril, 13, desta Cronologia].
No dia 22 de Junho de 1863, tomou posse do cargo de Governador, para o qual havia sido nomeado em 7 de Abril de 1863, o Coronel de Engenharia, José Rodrigues Coelho do Amaral. Foi um Governador eficiente e mereceu o reconhecimento da população. Uma das mais entusiásticas memórias da sua acção encontra-se nas páginas 79 a 88 - incluindo retrato - da obra de A. Marques Pereira - As Alfândegas Chinesas de Macau. Análise do Parecer da Junta do Ultramar sobre este objecto. Macau, Typographia J. Da Silva, 1970.
Coelho do Amaral iniciou a sua carreira na Armada em 1825 e, após uma passagem pelo Regimento de Infantaria e pelo Corpo de Engenheiros, regressou de novo à Armada em 1835. Em 1851, deu início à sua carreira colonial em Angola, onde ocupou o cargo de Governador do distrito de Benguela e, em seguida, o de Governador Geral da província. Depois do seu regresso a Lisboa e de uma curta passagem, como vogal, pelo Conselho Ultramarino, Coelho do Amaral foi nomeado Governador de Macau, tendo chegada à Cidade do Nome de Deus a 20 de Junho de 1863, substituindo Isidoro Francisco Guimarães. Tomou posse do governo no dia 22 de Junho e ocupou este cargo até 26 de Outubro de 1866, tendo regressado a Lisboa no dia 30 do mesmo mês. Coelho do Amaral desenvolveu uma acção importante na concretização de um conjunto de obras que marcaram a sua passagem pela Cidade: reconstrução e melhoramento de ruas, construção da ‘Marginal’, construção do quartel de S. Francisco e do forte com o mesmo nome, construção do fortim de Mong Há (Wangxia 望廈), renovação das fortalezas da Taipa, S. João e S. Jerónimo, e ainda a construção do Farol da Guia, o primeiro que o litoral da China conheceu, concebido por Carlos Vicente da Rocha e cujas obras foram acompanhadas directamente pelo próprio Governador. O período governativo de Coelho do Amaral ficou fundamentalmente marcado na história de Macau pela sua deslocação a Tianjin 天津 com a missão de efectuar a troca das ratificações do tratado luso-chinês assinado em 13 de Agosto de 1862 por Isidoro Francisco Guimarães. Assim, no dia 27 de Abril de 1864, José Rodrigues Coelho do Amaral partiu de Macau rumo a Tianjin 天津 acompanhado por António Feliciano Marques Pereira (secretário), João Rodrigues Gonçalves (intérprete) e Jerónimo Osório de Castro Cabral de Albuquerque (adido). Depois das primeiras visitas extra-oficiais, a cerimónia da troca das ratificações ficou marcada para 17 de Junho. Nesse dia, após a verificação dos plenos poderes das duas delegações, os representantes chineses afirmaram a necessidade de proceder a algumas alterações ao texto do tratado antes de se efectuar a troca das ratificações. Coelho do Amaral recusou tal pretensão, disponibilizando-se todavia a discutir o conteúdo do tratado com vista a uma futura revisão, mas só depois da troca das ratificações. Perante a insistência dos representantes chineses, que alegavam terem ordens imperiais para renegociar alguns artigos do tratado, Coelho do Amaral abandonou a mesa das negociações e regressou a Macau nos primeiros dias de Julho, com o tratado por ratificar. Bibliografia: DIAS, Alfredo Gomes, Sob o Signo da Transição, (Macau, 1998); SALDANHA, António Vasconcelos, Diplomacia, Tratados e Personalidades. Estudos sobre as Relações entre Portugal e a China, (Lisboa, no prelo); SALDANHA, António Vasconcelos, Estudos Sobre as Relações Luso-Chinesas, (Lisboa, 1996); SALDANHA, António Vasconcelos; ALVES, Jorge Santos (dirs.), Governadores de Macau, (Macau, no prelo).
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