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1607

No dia 9 de Setembro de 1607, tentativa holandesa para atacar e tomar Macau: oito navios holandeses, o Orange (capitânea), o Maurício, o Erasmo, o Eunhice, o Delft, o Pequeno Sol, o Pombinha e um iate, com uma tripulação de 551 homens e comandados pelo almirante Cornelio Metelieff, foram escorraçados das águas de Macau, por seis velas portuguesas do capitão-mor André Pessoa, tendo o inimigo perdido uma das naus e o iate. Assim se gorou a tentativa de impedir a largada da Nau do Trato para Nagasaqui. (Cfr. Pires, S. J. Padre Benjamim Videira. Taprobana e mais além … Presenças de Portugal na Ásia. Instituto Cultural de Macau. Macau, 1995, p. 234).

1658

No dia 9 de Setembro de 1658, pelo Breve Super Cathedram de Alexandre VII, Tonkim separou-se da jurisdição eclesiástica de Macau e foi confiada ao Bispo Pallu, M.E.P., da Societé des Missions Etrangères de Paris, fundada em Paris nesta data.

1719

No dia 9 de Setembro de 1719, António de Albuquerque Coelho entregou a capitania geral desta cidade a António Silva Telo e Meneses, que era irmão do Conde de Aveiras e tinha servido de Castelão e Capitão de Diu em 1712-1717. Antes de entrar na capitania de Macau teve de pôr demanda ao Procurador de António de Albuquerque Coelho, em Goa, que alegava os direitos anteriores deste. O Vice-Rei deu sentença a favor de Telo e Meneses em 16 de Maio de 1719 (cfr. Alguns documentos referentes a Macau… no Museu Britânico. Coligidos e transcritos por Armando Cortesão, Mss. Add.20, 906), que tomou posse do seu cargo a 9 de Setembro do mesmo ano. Ainda assim não se sentiu seguro. Governou até 19 de Agosto de1722. De 1719 a 1722 e depois de 1723 a 1724 governa Macau António da Silva Teles e Meneses. No seu tempo estanciou em Macau D. Carlos Ambroglio Mezzabarba, à ida e à vinda de Pequim, onde se deslocou como legado apostólico. V. Governadores de Macau, Coordenação de Jorge Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha. Investigação e textos de Paulo Sousa Pinto, António Martins do Vale, Teresa Lopes da Silva e Alfredo Gomes Dias. Editora Livros do Oriente, Portugal, 2013, pp. 90-91.

1847

Taipa, em chinês Tâm T-Chai (Dangzi 氹仔), significa Pequeno Charco. O território de Macau, localizado na pequena península de Xiangshan 香山, no delta do Rio das Pérolas, é constituído pela cidade propriamente dita, na parte continental (os seus limites têm sido alargados progressivamente através da conquista de terras ao mar e do próprio assoreamento do rio), e por duas ilhas, Taipa e Coloane. A Taipa, situada a cerca de três quilómetros do continente e a menos de dois da ilha de Coloane, com uma área de 5, 69 km2 e pouco mais de dez mil habitantes, é formada por três partes: Taipa Pequena, Taipa Grande e Kun Iam (Guanyin 觀音). Contudo, usualmente apenas se consideram a Taipa Pequena e Taipa Grande. Estas ficaram ligadas devido aos aterros, logo no início do século XX. O processo de colmatagem expandiu-se progressivamente para Sul, vindo a englobar a terceira ilhota. A ilha é de formação granítica, com acentuado relevo orográfico, e pobre em flora e fauna. Anteriormente a 1557, data do estabelecimento português, nenhuma das ilhas era habitada, excepto por piratas que as usavam em permanência temporária, constituindo um problema para o poder mandarínico. Os portugueses ocuparam a Taipa em 1847, na época do Governador João Maria Ferreira do Amaral, construindo uma Fortaleza na parte ocidental da ilha. Anos mais tarde, em 1851, o Governador António Gonçalves Cardoso mandou ocupar a outra parte da Taipa, onde se encontrava a vila antiga, que entretanto se havia desenvolvido. Através do primeiro Tratado Luso-Chinês, celebrado em 1887, que foi precedido do Protocolo de 26 de Março do mesmo ano e ratificado a 1 de Fevereiro de 1888, no seu artigo 2.º, a China confirmou a ocupação portuguesa de Macau e suas dependências, ou seja, entre outros aspectos, as ilhas da Taipa, Coloane, D. João, Tai Vong Cam (Dahengqin 大橫琴) (ou ilha da Montanha) e Sio Vong Cam (Xiaohengqin 小橫琴) (ou ilha de D. João ou ainda ilha da Macarira). Por decreto português de 3 de Novembro de 1909, foi aprovado o Regulamento da Capitania dos Portos de Macau, que compreendia todas as costas e portos da Península de Macau e ilhas da Taipa e Coloane. Em meados do século XX, a população da Taipa localizava-se sobretudo na vila e apenas 28% da sua superfície tinha hortas, enquanto 0, 3% possuía plantações de arroz. Dado que a agricultura tinha pouco significado, cerca de três quartos da sua população dedicava-se à indústria de panchões. Das cinco fábricas, a maior chegou a ter oitocentos empregados. Muitas vezes a mão-de-obra de idosos e crianças, muito barata, não era contabilizada como sendo operária. Apenas o trabalho que envolvesse o manuseamento de pólvora era bem pago, ficando os restantes trabalhadores com um salário exíguo. As condições de trabalho eram precárias, havendo frequentemente explosões com perdas de vida humana. Para além dessas fábricas, existia ainda a exploração rudimentar de pedreiras e preparação do ópio. Os outros trabalhos planeados constavam da conquista ao mar e da produção de leite e frutas. A população permanente da ilha foi bastante aumentada na mesma altura, principalmente por gente da China Continental, que, com as suas embarcações, aportava à Taipa e aí ficava a viver dentro dos barcos. Nos dias de hoje, tanto a Taipa como Coloane estão administrativamente a cargo da Câmara Municipal das Ilhas. A ilha possui um porto que foi de acostagem obrigatória para os navios de mais de quinhentas toneladas que chegavam a Macau, caso das embarcações ingleses. Por decreto de 20 de Novembro de 1845, D. Maria II declarou Macau um porto franco, o que levou à abertura dos portos a todas as nações. Tal foi levado à prática pelo Governador Ferreira do Amaral, oficial da Marinha. A atitude explica-se pela necessidade de tomada de posição por parte de Portugal face ao crescente poderio das potências estrangeiras e da pujança de Hong Kong. Assim, Ferreira do Amaral teve indicações para declarar francos os portos de Macau, bem como defender a autonomia absoluta da colónia. Havia também que definir concretamente quais os limites de Macau. Na época englobava-se a parte peninsular, as ilhas da Taipa e Coloane, e ainda as ilhas vizinhas da Lapa, D. João e da Montanha. A ocupação militar restringia-se a Macau e à Taipa, onde se circunscrevia a acção da administração portuguesa. Ferreira do Amaral, em cumprimento das ordens recebidas, mandou construir uma fortaleza, nomeando o primeiro comandante para o posto. A 9 de Setembro de 1847, foi arvorada, pela primeira vez na ilha, a bandeira portuguesa. A ilha estava também a braços com inúmeros problemas devido à pirataria, o que provocava grande desgaste junto das populações, que viram com agrado a tutela portuguesa. A ligação entre a Taipa e Macau começou por se fazer de forma rudimentar, em embarcações, mais tarde por carreiras regulares de motores movidos a óleo, e só a partir de 1974, quando ficou operacional a ponte Nobre de Carvalho, a distância passou a ser percorrida de forma rápida e assídua. A ilha que fica em frente à Taipa é a de D. João ou Ilha da Macarira, cujos habitantes reconheciam a autoridade portuguesa ainda no século XIX. Por exemplo, em 1878, chegou a receber os leprosos da Santa Casa da Misericórdia, e a população das três povoações, várias vezes recenseada por Macau, pagava impostos às autoridades portuguesas. Sobre a ocupação das ilhas, existem as instruções do Governador Ferreira do Amaral no Registo das Ordens deste Governo para o Oficial em serviço na Taipa, de 2 de Janeiro de 1848. Igualmente existem as instruções do governador Gonçalves Cardoso sobre a Taipa Quebrada, povoação, recolhidas em documento de 20 de Agosto de 1851. O Concelho das ilhas nascia então para oferecer maior segurança às suas populações, que há muito pediam o destacamento de militares. A fixação normal ainda levou algumas décadas, mas a prática administrativa na Taipa e em Coloane evoluiu mais rápida e linearmente do que os interesses de momento previstos pela Administração de Lisboa. Actualmente, a agricultura situa-se na zona baixa da Taipa e a indústria de panchões perdeu muito do seu significado. Na nova Taipa, a cidade satélite de Macau, uma boa parte do terreno é ocupado pela Companhia das Telecomunicações de Macau e tem sido alvo de um projecto de preservação, reparação e conservação das suas características. O Plano da Vila da Taipa foi projectado pelo arquitecto Eduardo de Goulart de Medeiros. A ligação a Macau realiza-se através de três pontes. A primeira, Ponte Governador Nobre de Carvalho, foi inaugurada a 5 de Outubro de 1974, e mede 2.567 metros de comprimento. A segunda, a Ponte da Amizade, inaugurada a 17 de Abril de 1994, tem 4.414 metros de comprimento. A terceira, a Ponte Sai Van, foi aberta ao público a 9 de Janeiro de 2005 e mede 2.200 metros de comprimento. Esta tem dois tabuleiros, possuindo o superior seis vias, enquanto o inferior, aberto aos automobilistas quando a região é atingida por tufões, é dotado de quatro. A parte Sul da Taipa encontra-se ligada à ilha de Coloane através de um istmo, construído sobre um aterro. A florestação da ilha foi efectuada com pinheiros originários da China e casuarianas (árvores bastante resistentes ao vento e ao ataque de insectos), vindas do Pacífico Sul e da zona a Oeste da Índia. Vêem-se ainda acácias de flor amarela (originárias da ilha de Taiwan) em algumas zonas da Taipa, bem como árvores do pagode (provenientes da Ásia Tropical, Malásia e Sul da China), muito resistentes ao sal e localizadas muitas vezes à beira-mar. Quanto à árvore de S. José, originária de Guangdong 廣東, aparece como árvore de alinhamento. Por seu lado, a acácia rubra, trazida da ilha de Madagáscar, tem valor ornamental. Nas zonas baixas da Taipa encontra-se ainda um tipo de arbusto, o acanto, originário da Ásia Tropical. Trata-se de um tipo de vegetal que permite a sedimentação e fixação dos lodos. É ainda possível observar, nas mesmas zonas, o jacinto de água, bastante disseminado e que constitui uma espécie perigosa para os sistemas agrícolas, piscícolas e hidráulicos da ilha, em virtude da sua grande velocidade de proliferação.

1886

No dia 9 de Setembro de 1886, o Consulado-Geral de Portugal em Bangkok pede ao Governo de Macau uma canhoneira, a fim de impedir os abusos cometidos pelo Governo Siamês sobre os súbditos protegidos por aquele Consulado.

1887

No dia 9 de Setembro de 1887, são dadas como pertencentes à jurisdição do Concelho das Ilhas as povoações de Chai Ngui Van, Ha Van, Chi Liong, Nga Com Chai, Chú Sá Van e Manió.

1888

No dia 16 de Agosto de 1888, vindo de Hong Kong com tropas portuguesas em trânsito, chegou à Baía de Cacilhas o transporte de guerra Índia, tendo-se declarado a bordo “cólera morbus”, contraída na colónia britânica. De 20 de Agosto a 9 de Setembro fez-se um cordão sanitário com centro de operações na Guia, para isolar aquela zona. O responsável, Major José dos Santos Vaquinhas, inspector de incêndios, acabou por ser contagiado e morreu, na sequência de complicações de ordem cerebral e apesar do seu caso ser inicialmente de cólera benigna. Montaram-se lazaretos improvisados junto à Fonte da Solidão, na Ilha Verde, na Taipa, e naturalmente em Cacilhas. A zona da Horta e Mesquita dos Mouros, adjacente, foi transformada em cemitério e por esse motivo veio a estar interdita ao culto por 5 anos, durante os quais a comunidade muçulmana utilizou um terreno perto da Capitania dos Portos onde edificou, com um subsídio de 400 patacas concedido pelo Governo, uma Mesquita provisória. Foram dias e dias do maior alarme justificado para Macau até o Coronel José Gomes da Silva, Chefe dos Serviços de Saúde, declarar a doença “localizada e dominada”. O Relatório da epidemia, com pormenor e nome dos falecidos, foi publicado em Boletim Oficial - 1888, p. 327-338. Distinguiram-se, pela sua abnegada entrega, as madres canossianas Teresina (o seu nome foi dado a uma rua em Macau) e Biancardi. Ambas foram condecoradas pelo Governo Português.

1911

No dia 9 de Setembro de 1911, o Governador de Macau telegrafa para Portugal: “Cantão proclamou independência ontem... Vice-Rei depois entregar Governo partiu Hong Kong torpedeiro inglês”. Encarece extraordinariamente o preço de arroz em Macau. Medidas tomadas pelo Governo Provincial.

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