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Trata-se de um significativo conjunto de cerca de seis mil folhas manuscritas, cronologicamente situadas, na sua grande maioria, entre meados do século XVIII e a primeira metade da centúria seguinte. A temática desta documentação diz respeito às relações entre as autoridades portuguesas e chinesas a propósito do território de Macau, versando múltiplos e variados temas, no âmbito dos contactos ofic

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Após meses de preparação, a caravana constituída por três Mitsubishi Pagero, baptizados com os nomes de Macau, Taipa e Coloane partiram, do simbólico Jardim Camões, em Macau, para o II Raide Macau-Lisboa, no dia 27 de julho de 1990.

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1587

No início do século XIII, Domingos de Gusmão fundou uma ordem religiosa e minentemente apostólica: a Ordem dos Pregadores, uma dádivado Espírito Santo à Igreja, ao serviço da evangelização dos povos. Imitando os apóstolos na pobreza e na pregação itinerante, São Domingos de Gusmão e os seus frades consagraram-se ao ministério da Palavra, anúncio da salvação. O frade pregador deve ir pregar o evangelho por toda a parte. Não deve esperar que venham até ele. Esta projecção apostólico-missionária marca de tal modo o estilo e a especificidade da vida dominicana que a expansão da ordem dos Pregadores correspondeu, desde o seu início, ao fervor missionário dos seus religiosos. O ideal que Domingos não logrou desenvolver pessoalmente no serviço missionário a todas as igrejas e a todos os povos, conseguiu, porém,incutir maravilhosamente nos seus filhos, discípulos e sucessores. Cinco anos após a confirmação da sua ordem por Honório III, os frades pregadores, movidos pela sua vocação apostólica, haviam-se espalhado por toda a Europa e, em finais do século XIII, já havia sido erigida a Congregação dos Irmãos Peregrinos, exclusivamente dedicada à evangelização das gentes, cujo campo de acção iria ser o Oriente (Próximo e Extremo) e a África. Antes do final da Idade Média, em meados do século XIV, surge um novo movimento missionário de grande importância, em direcção aos países do Extremo Oriente, entre os dominicanos portugueses, que, seguindo a rota dos exploradores de Portugal, expandiram o seu campo missionário pelos mapas de África, da Índia, de Ceilão, de Malaca, …, tendo estabelecido a sua sede central em Goa.Trata-se da Congregação da Santa Cruz das Índias Orientais, que nos traz à memória a Congregação dos Irmãos Peregrinos de finais do século XIII, e prenuncia o que virá a ser a Província Missionáriade Nossa Senhora do Rosário. Esta Província nasceu em 1587 e tinha como vocação específica a evangelização da China e dos povos vizinhos. Por destino histórico, Manila veio a tornar-se o centro das suas operações apostólicas, e as Ilhas Filipinas, a China, o Japão, o Vietname e a Formosa os campos da sua itinerância evangélica durante quatrocentos anos. – I.Dominica nos: de Acapulco a Macau. Estava-se na segunda quinzena de Agosto de 1587. O patacho San Martín, após cinco meses de travessia pelo Pacífico, aproximava-se de Macau, seu porto de destino, quando foi surpreendido for um forte temporal e arremessado para a costa da China, tendo ficado completamente destruído. Salvaram-se tripulantes e passageiros, entre os quais se encontravam três dominicanos espanhóis: os padres Antonio Arcediano, Alonso Delgado e Bartolomé López,que íam acaminho de Macau na esperança de ali encontrarem porta aberta para iniciarem o seu apostolado na evangelização da China. Os frágeis náufragos foram acolhidos por um chinês gentil, rico em bens de fortuna e em virtudes naturais, que os recebeu generosamente e lhes ofereceu inclusivamente os seus bons préstimos para interceder perante o vice-rei chinês no sentido de este lhes permitir que se estabelecessem na China e pregassem o evangelho. Tendo aceitado a oferta, e enquanto eram feitas as diligências necessárias para obter a autorização do vice-rei, os frades e os seus companheiros de naufrágio dirigiram-se para Macau, tendo chegado à colónia lusitana a 1 de Setembro de 1587. Os 15 dominicanos, que formavam o núcleo central de uma nova fundação missionária consagrada à evangelização da China e reinos vizinhos, foram mais afortunados na travessia do Pacífico. Saíram de Acapulco, no México, no dia 6 de Abril de 1587 e chegaram a Cavite, nas Filipinas, a 22 de Julho e, três dias depois, a Manila, onde foram fraternalmente recebidos pelo seu irmão na religião, o excelentíssimo Padre D. Domingo Salazar, O.P., pri- meiro bispo das Filipinas. Os três dominicanos que haviam saído de Acapulco com destino a Macau a 3 de Abril constituíam a guarda-avançada desta nova fundação missionária que procurava, na colónia lusitana da China, um porto seguro deligação entre Manila e a China e uma base estável com vista à expansão do seu apostolado na China continental. –II.Dominica nos em Macau. Os frades de São Domingos foram recebidos em Macau pelos padres agostinhos que, praticamente só um ano antes (1 de Nov. de 1586), haviam logrado fundar um convento que lhes franqueasse a entrada na China. Na ausência do bispo, D. Leonardo de Sá, que se encontrava por aquela altura em Goa, o Provisor da diocese favoreceu os dominicanos com adoação de umas casas onde puderam alojar-se imediatamente. As cláusulas desta doação determinavam que a nova igreja levasse a advocação de Nossa Senhora do Rosário e que os frades se comprometessem a rezar anualmente as três missas do Natal em intenção do ofertante. Os frades aceitaram ao ferta a 16 de Outubro e, oito dias mais tarde, ambas as partes assinavam o contrato. Esta fundação de Macau foi oficialmente reconhecida Província no Primeiro Capítulo celebrado em Manila a 10 de Junho de 1588, tendo o padre Antonio Arcediano sido instituído vigário da casa de Macau, para a qual foram designados os padres Alonso Delgado e Bartolomé López. Esta recepção por parte do governo lusitano provocou principalmente oposição e resistência. Mal foi conhecida a chegada dos náufragos castelhanos, brotaram em força na colónia os já tradicionais receios que os portugueses alimentavam em relação aos espanhóis e começaram de imediato a organizar-se reuniões do Conselho da cidade para decidir a sorte dos três dominicanos e dos seus companheiros de viagem. Os mais exaltados pediam a expulsão destes sem demora, enquanto que a maioria propunha que o caso fosse enviado para o Vice-Rei da Índia, cuja decisão seria acatada. As medidas que foram tomadas em relação a este assunto tão espinhoso foram de tal modo rápidas que, em Março do ano seguinte (1588), chegavam a Macau as cartas do Vice-Rei português da Índia, nas quais se dispunha que os frades de São Domingos e os seus companheiros de naufrágio, por serem castelhanos, fossem desterrados para Goa, sem que lhes fosse permitido viajarem até Manila. Era também estabelecido que as propriedades dos religiosos fossem entregues aos dominicanos portugueses da Congregação da Santa Cruz das Índias. Assim terminavam as primeiras tentativas dos dominicanos espanhóis para fundarem uma missão em Macau. Todavia, nem tudo foi fracasso. Deixaram em Macau a sua pequena igreja de madeira dedicada à Virgem do Rosário, o seu singelo convento e os rudimentos de uma escola de Gramática. E, zelando por este pequeno tesouro até à chegada dos dominicanos portugueses, ali ficava o Padre António de Santa Maria, mestiço sino-português, sacerdote secular que, atraído pela austeridade da vida monástica e pelo zelo apostólico dos dominicanos, se havia incorporado na comunidade, tendo recebido, graçasàhabi- lidade do padre Arcediano, o hábito dos frades pregadores. – III. Dominicanos e a Procuração das Missões em Macau. A fundação da Procuração das Missões Dominicanas em Macau coincide com a restauração das missões na China. Com o martírio do bispo Pedro M. Sanz, a 26 de Maio de 1747, e o dos padres Serrado, Alcober Díaz y Royo, a 28 de Outubro do ano seguinte, a perseguição havia terminado com o apostolado dos dominicanos espanhóis na China. Restava apenas na missão o infatigável e heróico padre Juan Fung de Santa María, dominicano chinês, o qual pedia com insistência, na sua correspondência com os superiores de Manila, o envio de novos operários evangélicos. Devido à perseguição, a restauração da missão teve de esperar até 1753, ano em que foram destinados à China os padres espanhóis DiegoTerradillos e Domingo Castanedo e os padres chineses Pedro Nien de Santo Domingo e Simon Lo del Rosario. Saíram de Manila a 10 de Janeiro de 1753, chegando a Macau a 28 dos mesmos mês e ano. Os quatro novos missionários conseguiram entrar na missão de Fujian a partir da colónia lusitana, por diversas vias e em diferentes datas no ano seguinte, apesar da apertada vigilância das autoridades chinesas para impedir a todo o custo a entrada de estrangeiros na China. O segundo reforço, também de quatro missionários, chegou a Macau a 14 de Novembro de 1754. Tratava-se dos padres Manuel Díaz, Antonio Lotranco, Pedro Feliu e Vicente Ausina, este último com o Procurador das Missões. A restauração da missão pedia também uma casa-procuração onde pudesse receber os novos missionários, atender os doentes e acolher os desterrados em caso de perseguição. Esta fundação era tão necessária e urgente que o próprio Mestre Geraldos Dominicanos, padre Boxadors, em documento oficial de 13 de Dezembro de 1757, orde nava a fundação da Procuração dos Dominicanos em Macau, onde deveria de imediato residiro Procurador das Missões da Provínciade Nossa Senhorado Rosário, sem que qualquer autoridade,incluindo a do Provincial, pudesse retirar-lhe as funções sem prévia nomeação de um substituto. Esta ordenação do Mestre Geral foi cumprimentada pelo Capítulo Provincialde Manilade 1759, que instituíu o padre Vicente Ausina Procuradordas Missões Dominicanasda Chinaede Tonquim (Vietname), com residência no convento dos dominicanos portugueses de Macau. As primeiras medidas toma das pelo Procuradordas Missões Dominicanas tiveram por objectivo a compra de locais apropriados para o desempenho das suas funções. Comprou primeiro – desconhece-se a data – a casa do falecido cónego Manuel José Caldeira, situada junto da Igreja-Catedral e, em 1760, algumas vivendas situadas em frente da porta traseira do convento de São Domingos. Os cinco procuradores que lhe sucederam nas funções até ao final do século, aproveitando as possibilidades de entrada de missionários na China que Macau lhes oferecia, apesar do rigor da perseguição, conseguiram manter, em média, oito missionários na missão de Fujian 福建e um número ainda maior na deTonquim. Durante a sua permanência em Macau, foram bem acolhidos pelos seus irmãos dominicanos portugueses e não lhes foram impostas quaisquer restrições por parte das autoridades, quer civis quer eclesiásticas, até 1778, ano em que D. Alexandre da Silva Guimarães, Bispo-Governador de Macau, expulsouo procurador dos dominicanos, padre Antonio Robles. Já antes de ser governador, e em virtude dos poderes do Padroado de Portugal, o bispo Alexandre havia proibido a entrada de missionários estrangeiros que não houvessem previamente jurado fidelidade ao rei de Portugal e ao arcebispo de Goa. Esta disposição afectava principalmente os procuradores da Propaganda, das Missões Estrangeiras de Parise das Missões Dominicanas. O padre Robles negou-se a prestar tal juramento e, por esse motivo, foi expulso da colónia lusitana. A 8 de Março de 1778, antes de partir para Manila,o padre Robles entregou a administração dos negócios da Procuração ao irmão franciscano Martín Paláu. A 1 de Janeiro de 1781 chegou a Macau o padre José Lavilla, que exerceu as funções de procurador durante três anos. As disposições relativas ao juramento de fidelidade ao rei de Portugal continuavam em vigor, apesar da partida do bispo Alexandre para Lisboa em 1780, e o padre Lavilla, homem de carácter forte, não tendo nunca conseguido entender-se com os portugueses, voltou para Manila em Maio de 1784. Entretanto, o rei de Espanha havia encarregado um embaixador em Lisboa de negociar com o Governo português a autorização de residência em Macau para os procuradores dos religiosos espanhóis e de passagem para a China para os missionários. Esta intervenção do embaixador de Espanha teve como resultado a promulgação em Lisboa de novas disposições favoráveis à petição da Corte de Madrid, mediante as quais era concedido aos missionários espanhóis, semque, para tal, fossem obrigados a prestar juramento de fidelidade à Coroa de Portugal, o direito de residência em Macau e de passagem para a China. Em Outubro de 1786, o padre Manuel Corripío partiu de Manila para Macau com ano meação de Procurador das Missões. Levava consigo a autorização dogovernador de Manila e a promessa de residência por parte do de Macau, transmitida a Manila pelo irmão franciscano Martín Paláu. Com a chegada do padre Corripío à colónia lusitana,começouasegundaetapadahistóriadaPro- curaçãodos Dominicanos em Macau que se prolongou até 1861. A casa-procuração, independente do conventodos dominicanosp ortugueses, estava agora situada por trás do Seminário de São José, na praceta que fica defronte da igreja de Santo Agostinho. Os treze procuradores que serviram as missões da China e de Tonquim durante este meio século viram-se obrigados a limitar o seu trabalho de procura dores ao envio de ajuda material às missões do interior, uma vez que, devido às perseguições e à muita vigilância de portos e fronteiras, foram muito poucos os missionários vindos de Manila que chegaram a Macau a caminho das missões. Dedicaram um esforço especial à recolha de fundos, através de obras pias e dedonativos, para custear os gastos da formação de catequistas e para a fundação dos seminários de Kesen, de Amoy (Xiamen廈門) e de Fuzhou 福州. Os frutos de tantos trabalhos não tardaram em chegar, pois, em 1832, havia já sete sacerdotes que tinham feito os seus estudos no seminário de Santa Cruz de Kesen e, em 1860, o número de sacerdotes chineses na igreja de Fujian福建ultrapassava os 20. Concluímos esta informação sobre a Procuração das Missões Dominicanas em Macau com a lembrança nos tálgica de dois acontecimentos: a consagração de um bispo dominicano e a sepultura de outro. Na primavera de 1792 chegou a Macau, a caminho da missão da China, o padre Roque Carpena. Onze anos depois, altura em que era bispo de Macau o franciscano D. Manuel de S. Galdino, aquele vol- tava à mesma cidade para ser consagrado bispo de Fujian福建, a 23 de Janeirode 1803. Nopresbitério, diantedoaltar-mórda Igrejade São Domingos, des- cansam os restos mortais do excelentíssimo Padre Tomas Badia. Missionário na China durante dez anos, foi, em 1834, consagrado em Singapura bispo-auxiliar do Arcebispo de Manila, o agostinho Seguí. De saúde delicada, faleceu a 1 de Setembro de 1844, aos 33 a nos deidade, em Macau, onde esperava notificação oficial, por parte da Corte de Madrid, da sua nomeação para Manila. No enterro foram-lhe concedidas honras de realeza, tendo assistido aos funerais o Governador e o Senado, o enviado da China e a sua comitiva, os senhores bispos Borja e Mata, ocleroda cidade e uma grande multidão de fiéis. [A.S.] Bibliografia: FERRANDO, Juan, O.P., Historia de los PP. Do- minicosenlasIslasFilipinas,Japón,Chinas,Tung-KínyFormosa, (Madrid, 1871); GONZALEZ, José Maria, O.P., Historia de las Misiones Dominicanas en China, (Madrid, 1962); TEIXEIRA, Padre Manuel, Macau e a sua Diocese, vol. III, (Macau, 1957- 1961).

1631

No dia 1 de Setembro de 1631, foi resolvido enviar 6 homens a Cantão, velhos e de experiência no trato, para negociarem novamente com toda a paz com os chineses e, com meios suaves, procurarem alcançar a liberdade de que antigamente gozavam esta cidade e seus moradores; o contrato que a cidade de Macau tinha com os chineses de Cantão encontrava-se quebrado pelos muitos roubos e injustiças que os seus mandarins e governadores faziam aos moradores de Macau.

1709

No dia 1 de Setembro de 1709, o Bispo de Macau mandou pôr excomunhão a toda a pessoa que fosse à Igreja ou adro de S. Domingos ou que comunicasse com alguma pessoa daquele convento. À uma hora, logo depois do meio dia, mandou o Patriarca de Antioquia, Maillard de Tournon, pôr muitos papéis, em muitos lugares públicos, contra tal excomunhão. O Governador Pinho Teixeira, ao ter conhecimento da colocação desses papéis, mandou-os arrancar por ordenanças.

1736

No dia 1 de Setembro de 1736, Francisco Xavier Doutel participa ao Senado que no seu barco Santa Cruz, chegado de Goa, tinham vindo 200 barris de pólvora destinados ao Senado; com o produto da sua venda, deviam pagar-se as côngruas dos Bispos de Pequim e de Macau.

1766

Quem dobra a ponta da barra e entra no braço do delta do Rio das Pérolas que banha Macau, avista ao longe uma pequena colina coberta de luxuriante vegetação. É uma elevação de diminuta dimensão e superfície que, embora ainda designada por Ilha Verde, faz hoje parte integrante da terra firme da península. que o istmo Ferreira do Amaral liga ao continente chinês através das Portas do Cerco. A Ilha Verde passou a ser propriedade dos missionários jesuítas entre 1603 e 1604, que dela tomaram posse por iniciativa do Visitador dos Jesuítas e do Reitor do Colégio de S. Paulo. Essa posse foi mais uma dádiva como recompensa pelos trabalhos desses missionários, como sucedeu mais tarde com parte da ilha da Lapa, na outra banda do rio, que igualmente lhes foi cedida. Após a expulsão dos padres jesuítas, em 1762, a ilha passou a ser propriedade do cidadão Simão Vicente Rosa, que dela se apoderou com base numa dívida dos jesuítas para com ele, conforme confirmado nas Efemérides da História de Macau. Ali se lê no número de 14 de Abril de 1766, que “a llha Verde foi entregue a Simão Vicente Rosa, que estava em Goa, tendo este aceitado ficar com a ilha, por 6.147 taéis, que era a quantia que os Colégios de S. Paulo e de S. José lhe deviam”. Passou, assim, a ser uma propriedade particular e não de uma instituição como era a Companhia de Jesus. Com a morte de Simão Vicente Rosa, a Ilha Verde foi-se transformando num poiso de malfeitores e pessoas sem eira nem beira, que não só ali se acoitavam como começaram a armar barracas para aí viverem. Por essa razão, no ano de 1813 foi a Ilha Verde avaliada em 200 taéis e posta a leilão. Em 1 de Setembro do mesmo ano foi arrematada por Manuel Homem de Carvalho e Bernardo Gomes de Lemos, dela tomando posse no mês seguinte. Alguns anos depois, Homem de Carvalho emigrou para o Brasil e vendeu a sua parte na arrematação da ilha a Gomes de Lemos, que assim se tornou seu único proprietário. Mas as autoridades eclesiásticas, sobretudo as do Seminário de S. José, nunca perderam a esperança de voltarem à posse de tão pitoresca ilha. Foi assim que a Ilha Verde foi vendida ao Seminário de S. José. Nas já citadas Efemérides da História de Macau escrevia-se, no dia 22 de Fevereiro de 1828: “Os padres do Seminário Diocesano de S. José compraram a Ilha Verde, no rio de Macau, pela quantia de 2.000 patacas”. A concretização dessa compra fez-se por “Escriptura da compra da Ilha Verde a Bernardo Gomes de Lemos por duas mil (2000) patacas pagas pelo Revdo. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja Supor do Seminário de S. José”. O principal objectivo dessa aquisição era aproveitar a excelente situação daquela verdejante colina para repouso, em tempo de férias, dos padres e seminaristas do Seminário de S. José, e durante o ano para excursões e passeios escolares. No ano de 1890, Custódio Miguel de Borja, oficial da Armada Portuguesa, chegava ao território investido no elevado cargo de Governador de Macau. Logo se apercebeu da necessidade de ligar a Ilha Verde à península de Macau. Além da construção de um dique, em frente do pagode Lin-Fong-Mio (Lianfeng Miao 蓮峰廟), para impedir que a corrente ai se dividisse em duas, amortecendo-lhe assim uma grande parte da sua velocidade, o governador pretendia transformar a Ilha Verde num logradouro público, um local para piqueniques e passeios aberto a todos os habitantes de Macau. Pretendia ainda valorizar aquele aprazível local com uma população fixa, mas trabalhadora, que se dedicasse a algumas actividades como a pesca, horticultura e confecção de artigos de tipo manual e caseiro. Mas com essas pretensões do governador não concordou o bispo da diocese, D. António Joaquim Medeiros, que não se conformava com o facto de o Seminário de S. José perder o domínio completo e o direito de propriedade sobre aquela ilha. E mesmo antes de terminadas as obras de construção que ligariam Macau à Ilha Verde, mandou construir um muro à volta de toda a ilha, a fim de interditar o acesso de qual quer pessoa não relacionada com as actividades da diocese e do seminário. E, simultaneamente, fez transmitir ao governador o seguinte recado: “Quando lá quiser ir descansar ou veranear, é só pedir a chave ao Reitor do Seminário, que terá muito gosto em lhe ser agradável”. O dique que ligava a Ilha Verde a Macau era conhecido por Dique da Ilha Verde, ou Istmo, e mais tarde Estrada da Ilha Verde. Anos depois, com novas toponímias que foram atribuídas a muitas ruas e avenidas da cidade, passou a designar-se Avenida do Conselheiro Borja. Com o decorrer dos tempos, o crescimento da cidade e as circunstâncias em que se ia desenvolvendo a sua economia e respectivo comércio, a fixação de maior número de moradores vindos do continente chinês e de outras paragens, começaram a operar-se bastantes mudanças, e a Ilha Verde não fugiu a essas transformações. O aplanamento à volta da ilha, a construção de um cais e pontes ali próximo, o alinhamento do rio naquela extensão e para o lado do Istmo, permitiram a instalação de uma grande fábrica de cimentos, além de outras de menor volume: uma fábrica de papel de embalagem, cartão e cartolina, uma fábrica de gelo, outra de fabrico de louça esmaltada, e ainda uma de produtos de espuma de borracha. Assim, foi-se modificando o aspecto físico e paisagístico da ilha, o que levou a um acentuado crescimento das actividades concentradas naquela zona. [J.S.M.]

1813

No dia 1 de Setembro de 1813, Por morte de Ana Araújo Rosa, proprietária da Ilha Verde, que herdara de seu pai Simão Vicente da Rosa, foi essa Ilha vendida em leilão e arrematada por 501 taéis, por Manuel Homem de Carvalho e Bernardo Gomes de Lemos. No dia 22 de Agosto de 1814, Margarita Rita de Carvalho Milner processou os dois compradores da Ilha Verde, Manuel Homem de Carvalho e Bernardo Gomes de Lemos, sob o pretexto de dever ser ela a proprietária dessa Ilha, como neta do antigo dono, Simão Vicente da Rosa, mas o Ouvidor Miguel de Arriaga Brum da Silveira confirmou a venda como legalmente feita, em 18 de Abril de 1822.

1849

No dia 1 de Setembro de 1849, foi criado um Corpo de Polícia composto de todos os cidadãos que por idade, moléstia ou qualquer outro motivo estejam dispensados do Batalhão Provisório.

1849

No dia 5 de Setembro de 1849, o Conselho Governativo promoveu entre os maiores contribuintes um empréstimo de 50.000 patacas destinado a acudir de pronto às urgentes exigências de defesa da Cidade, provocadas pela morte do Governador e pela tomada de Passaleão.

1878

A Escola Comercial Pedro Nolasco iniciou a sua actividade em 8 de Janeiro de 1878, tendo-se mantido em funcionamento até 1 de Setembro de 1998. Nesta data, os seus alunos, professores e instalações transitaram para a Escola Portuguesa de Macau,entretanto criada. A criação da Escola Comercial correspondeu a uma velha aspiração dos macaenses que não viam satisfeitos os seus desejos de dar aos filhos qualquer tipo de escolarização e muito menos uma educação que os preparasse para a vida. Correspondeu à realização do sonho de verem na sua terra uma escola que desse aos jovens uma preparação profissional para poderem seguir a única carreira possível nestas paragens, na época: trabalhar nos escritórios comerciais nacionais e estrangeiros, não só de Macau, mas também de Hong Kong e Xangai, do Japão, de Singapura, do Sião, da Austrália, etc.. Em 1871 foi criada a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), por um grupo de cidadãos de Macau e Hong Kong, com o principal objectivo de fundar e manter um Collégio Commercial (“uma casa de educação e de instrução que satisfaça as aspirações dos macaenses”) que oferecesse garantias de estabilidade. Estipulava-se nos seus estatutos, aprovados pela Portaria Provincial de 29 de Setembro de 1871, no Artigo 13.º e seguintes que, depois de 5 anos a contar adquela data, se não fosse possível conseguir o fim para o qual se destinava aassociação, a mesma seria dissolvida caso a mesa da assembleia geral dos accionistas assim o entendesse. Durante os primeiros anos, a APIM fez várias tentativas no campo do ensino. Subsidiou escolas do Território, entre elas o Colégio da Imaculada Conceição. No final de 1877, este Colégio acabou por fechar as suas portas, deixando mais de uma centena de crianças sem escola. Em Agosto de 1877, a APIM decidiu avançar com a criação do Collegio Commercial, apesar das muitas dificuldades quer de natureza económica quer relacionadas com a falta de docentes. A escola abre numa casa particular, em 8 de Janeiro de 1878, com seis pofessores recrutados localmente, quatro deles em regime de voluntariado, a que se vieram juntar, passado pouco tempo, mais dois, respectivamente de Inglaterra e de Calcutá. Estes dois professores estiveram ao serviço da escola durante cerca de seis anos, a leccionar especialmente a disciplina de Inglês, deixando aos seus alunos compêndios de apoio à aprendizagem da referida língua. Também a língua chinesa mere- ceu a atenção da APIM que mandou vir de Pequim um professor, o qual ensinou a “língua mandarina a muitos jovens e a todos os interpretes sinologos que se encontravam ao serviço do governo portuguez”. Seis anos passados, a escassez de recursos e a falta de professores levou ao estabelecimento de um convénio com o Prelado da Diocese, no sentido de que a Escola Comercial funcionasse, em salas designadas para o efeito, no Seminário de S. José, sendo para aí transferidos os professores. Apesar de esta escola ter dado bons frutos durante dezasseis anos, a Associação não se sentia completamente satisfeita. A oferta por parte da escola mantinha-se reduzida, não ultrapassando a parte elementar do curso comercial, o que desgostava os dirigentes que viam partir quem podia para completar a sua formação em Hong Kong e Xangai, onde, em 1911, estudaria mais de meio milhar de alunos oriundos de Macau. Pedro Nolasco da Silva, o grande impulsionador do sonho da APIM, idealiza, em1899, a criação de um Instituto Comercial. Como não consegue que o Seminário lhe forneça professores, decide agregá-lo ao Liceu de Macau, fundado havia pouco tempo, ficando a APIM com a responsabilidade da orientação das disciplinas técnicas. Passados três anos, o Instituto estava anexado ao Liceu, deixando a APIM de ter influência na sua existência. Durante as duas primeiras décadas do século XX a Escola manteve uma actividade com pouca visibilidade, nem por isso menos meritória e mais fácil. Finalmente, em 1919, dá-se um decisivo impulso com a cedência pelo Governo de um edifício próprio, construído para o efeito na Calçada do Gamboa e com a aprovação oficial do “programa do curso de língua Sínica para as Escolas Central e Comercial”. Seguiram-se três décadas em que a Escola viveu tempos conturbados, tal como o foi, neste período, a vida económica e social do Território, em especial devido à segunda guerra mundial. Em 28 de Junho de 1952, um diploma ministerial concede validade oficial ao curso geral de comércio da Escola Comercial, mediante a realização de um exame final e autoriza que seja ministrada a secção preparatória para os institutos comerciais, o que muito contribuiu para o prestígio da Escola. Depois da oficialização, a população escolar cresceu consideravelmente. A Escola, que contava em 1952 com 109 alunos, era frequentada em 1967/1968 por 525. No dia 28 de Maio de 1966 foi inaugurado um novo edifício, construído sob orientação do arquitecto português Chorão Ramalho,em terreno de arrendamento vitalício e gratuíto, concedido à APIM pelo Governo, entre as Avenidas Infante D. Henrique e D. João IV. Na década de sessenta, Macau viveu tempos conturbados politicamente. Muitos macaenses receosos pelos reflexos no Território, da Revolução Culturalda República Popularda China, abandonaram Macau. A Escola Comercial ressentiu-se e as suas turmas começaram a diminuir. Em 1970 a frequência era de 325 alunos e em 1973/1974 reduziu ainda para 212. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, com a extensão a Macau da reforma educativa que criou o ensino unificado, perspectivava-se a descaracterização da Escola Comercial, o que provocou grande controvérsia a nível local. Finalmente, foi encontrado o consenso e, a partir do ano lectivo de 1980/81, a Escola Comercial pôs em funcionamento o curso unificado, equivalente ao Curso Geral do Comércio, mantendo no 7.º, 8.ºe 9.º ano as opções vocacionais de Dactilografia e Administração e Comércio e leccionando também a Área C (estudos económico-sociais) no ensino secundário unificado. A partir desta data as condições de funcionamento da Escola alteraram-se profundamente. O Governo do Território nome ou alguns professores do ensino oficial, assim como um director em dedicação exclusiva para prestar serviço na Escola. Esta situação fez esbater as diferenças entre o ensino oficial e o ensino particular, embora se mantivesse a autonomia e a independência da APIM. A partir de 1989/1990 passaram a ser ministrados no ensino secundário cursos profissionais e técnico-profissionais ligados à Administração, Comércio e Informática. Estes cursos funcionaram não só em regime diurno mas também em regime pós-laboral. No ano lectivo de 1992/1993 entrou em funcionamento o 1.º ano do 1.º ciclo e os cursos tecnológicos de Administração e Informática do novo ensino secundário. Em 1997/1998, quando cessou a sua actividade, a Escola Comercial contava com uma população escolar de 435 alunos, distribuídos do 1.º ao 12.º ano de escolaridade. Durante mais de 120 anos, a Escola Comercial Pedro Nolasco funcionou ininterruptamente como escola particular sem fins lucrativos, dando a sucessivas gerações de jovens macaenses uma formação de matriz portuguesa, sem deixar de responder às necessidades e desafios da realidade local. Em 21 de Dezembro de 1977, por ocasião do centésimo aniversário da sua fundação, a Escola Comercial Pedro Nolasco foi agraciada pelo Presidente da República Portuguesa com o título de Membro Honorário da Ordem do Infante Dom Henrique. Em sessão da Comissão Directora da APIM, de 9 de Dezembro de 1919, foi deliberado dar à Escola Comercial o nome de Pedro Nolasco. [M.F.S.] Bibliografia: CANHOTA, António Augusto da, Bodas de Diamante da Escola Comercial “Pedro Nolasco”, (Soi Sang, 1953); BARATA, Aureliano, O Ensino em Macau, 1572-1979, (Macau); Brochura da APIM, (Macau, 1986); GUEDES, João; MACHADO, José Silveira, Duas Instituições Macaenses–Associação Promotorada Instrução dos Macaenses ; Escola Comercial “ Pedro Nolasco”, (Macau, 1998); TEIXEIRA, Padre Manuel, Pedro Nolasco da Silva – Macau, (Macau, 1942); TEIXEIRA, Padre Manuel, I Centenário da Associação Promotorada Instrução dos Macaenses – Macau 1871/1971; “125 Anos da APIM – Formare Instruir a Juventude Macaense”, in Revista Macau, II série, n.° 48, (Macau, Abril 1996).

1882

No dia 1 de Setembro de 1882, foi inaugurada em Macau a Escola Municipal de Instrução Primária, na casa n.º 17 da Rua de S. Domingos.

1887

No dia 1 de Setembro de 1887, o Chefe de Saúde desta Colónia, Dr. José Gomes da Silva, pediu o aforamento de um terreno junto ao planalto do Hospital de S. Januário para construção duma casa de habitação.

1887

No dia 1 de Dezembro de 1887, o ex-Governador de Macau e Ministro Plenipotenciário de Portugal - Tomás de Souza Rosa e o Príncipe Ch’ing com o Ministro Sun-iu-Ven assinam conjuntamente o “Tratado de Pequim”, 54 artigos, e uma “Convenção” sobre ópio com 3 artigos, sendo que no 2.o a China confirma o “Protocolo de Lisboa” que consigna a perpétua ocupação e governo de Macau por Portugal, que confirma o seu compromisso de não alienar Macau sem acordo prévio da China. [Cfr. esta Cronologia…,1888, Abril, 28]. (A Convenção de Pequim em 1902 - assinada a 15 de Outubro e ratificada dois dias depois, virá a confirmar a vigência deste Tratado com a introdução de aspectos normativos a propósito do ópio e do funcionamento das alfândegas). • Pelo “Tratado entre Portugal e a China”, celebrado nesta data em Pequim, foi retirado da Ilha de D. João o “Destacamento” português em 1 de Abril de 1897, sendo também retirado de lá o posto chinês. Mas as décimas e licenças ficaram de continuar a ser percebidas pelo governo português, através do Tipú, uma espécie de regedor das povoações chinesas. Entretanto o Tipú vai dizendo que, mesmo sem Posto, os soldados dos mandarins têm voltado, incitando a população a não pagar aos portugueses, e o Administrador das Ilhas resolve o assunto, indo falar pessoalmente com os habitantes de D. João.

1909

No dia 1 de Setembro de 1909, foi celebrado o projecto de contrato do exclusivo de jogos em Macau, entre o súbdito francês A. Vernon e o Governo de Macau.

1911

No dia 1 de Setembro de 1911, foi constituída ilegalmente a Sociedade Macao Foreign Law Tennis Club, invocada como tal por Charles Ricou e Artur Miller.

1931

No dia 1 de Setembro de 1931, é publicado o primeiro número do periódico A Voz de Macau, que usa até ao n.° 14 o subtítulo de Diário da Manhã. Segue ao longo de V Séries até ao n° 4.648, de 16 de Agosto de 1947.

1940

No dia 1 de Setembro de 1940, é erecta a Diocese de Timor (Díli), por iniciativa de D. José da Costa Nunes junto da Santa Sé, pela Bula Solemnibus Conventionibus. Foi-lhe destinada como pastor o Administrante Apostólico Pe. Jaime Garcia Goulart. A Sé Catedral desapareceu com a II Grande Guerra Mundial. (Em 1875 fora separada da Diocese de Malaca e unida à de Macau.)

1947

No dia 1 de Setembro de 1947, o Comandante Albano Rodrigues de Oliveira é empossado Governador de Macau,substituindo o Comandante Gabriel Maurício Teixeira, que tinha exercido o cargo desde 1940.

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