Pintor macaense, filho de José Gonçalves Estorninho (Algarve) e de Palmira Maria Augusta Estorninho (Macau), e irmão do bibliotecário e escritor Carlos Estorninho. Estorninho exerce a profissão de observador meteorológico durante dezassete anos, casa aos trinta e três anos e pinta, desde cedo, aguarelas da paisagem natural e humanizada de Macau. O artista desenvolve a sua mestria com Luís Demée, Brigitte Reinhardte Frederick Joss no enclave, e expõe algumas obras, juntamente com Joss e Tam Tsing Teung, no Leal Senado em 1963, ano em que o pintor funda, com outros artistas da cidade, a “Associação Arco-Íris”, que reúne escultores e pintores, e organiza uma exposição também no Leal Senado no ano seguinte. Estorninho acaba por expor as suas obras igualmente em Hong Kong: Galerias Apollo e Chatham, 1965, e, na primeira de novo em 1966. Entre 1968 e 1970, o pintor desempenha em Timor as funções de director da Sociedade de Turismo e Diversões, apoiando a causa timorense após o seu regresso ao enclave. Em 14 de Novembro de 1970, e por proposta da Delegação da Cruz Vermelha de Timor, Estorninho é agraciado com a Medalha da Cruz Vermelha de Mérito, vindo mais tarde a dirigir a organização timorense Tata Mai Lau e a pertencer à União Democrática Timorense, expondo alguns dos seus quadros no Centro de Turismo, em Díli (1976). O artista e empresário, a quem os amigos tratam por Lano, é membro da administração do Hotel Lisboa e desempenha, entre 1974 e 1976, as funções de consultor político da STDT. Em Setembro de 1971, o pintor expõe em Lisboa durante a Primeira Quinzena de Macau, organizada pela Casa de Macau, vendendo a totalidade das obras expostas e oferecendo os lucros à organização promotora do evento; expõe ainda em Lisboa, no Palácio Foz (“Panorama de Artes Plásticas no Ultramar”, 1988); no Porto (Direcção dos Serviços de Turismo, 1988); na Escola Comercial de Macau, aqui juntamente com Kam Cheong Ling, Kwok Se e Oseo Acconci; no Leal Senado (1976, 1982, 1985), com Lam Wai Long e Kwok Se; no Museu Luís de Camões, individualmente; na Casa de Macau em Lisboa, com Luís Demée, Kam Cheong Ling e Kwok Se (1979), e com Fausto Sampaio (1983); na Biblioteca Nacional em Lisboa (1981); na Missão de Macau em Lisboa (1992) e em Pequim e em Xangai. Quando da exposição da Comissão Coordenadora da Acção Cultural no Leal Senado, em Outubro de 1982, o pintor apresenta, no catálogo, um texto intitulado “Notas sobre a Arte – O Movimento Impressionista”. Entre 1976 e 1993 é director do Hotel Sintra em Macau e, em 1986, executa alguns selos comemorativos das fortalezas e plantas militares da cidade, tendo ainda sido o primeiro director do jornal Ponto Final e colaborador, director gráfico e consultor político de O Clarim. Em Maio de 1992, o artista-empresário recebe do governador Rocha Vieira a Medalha de Mérito Cultural, fazendo juz à mesma também nas tertúlias que organiza no café A Bica. Herculano Estorninho falece aos setenta e três anos de idade em Macau, no dia 30 de Abril de 1994. [R.M.P.]
Bibliografia: MATIAS, Maria Margarida L. G. Marques, “Herculano Estorninho: A sua Biografia–Tentativa de um Retrato”, in Catálogo da Exposição Realizada na Salado Comendador Ho Yin o Clube Militar de Macau, (Macau, 21 de Dezembro de 1995); MATIAS, Maria Margarida L. G. Marques, Herculano Estorninho Aspectos da sua Vida e Obra, (Macau, 1995).

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Data de atualização: 2023/06/14