Coelho do Amaral iniciou a sua carreira na Armada em 1825 e, após uma passagem pelo Regimento de Infantaria e pelo Corpo de Engenheiros, regressou de novo à Armada em 1835. Em 1851, deu início à sua carreira colonial em Angola, onde ocupou o cargo de Governador do distrito de Benguela e, em seguida, o de Governador Geral da província. Depois do seu regresso a Lisboa e de uma curta passagem, como vogal, pelo Conselho Ultramarino, Coelho do Amaral foi nomeado Governador de Macau, tendo chegada à Cidade do Nome de Deus a 20 de Junho de 1863, substituindo Isidoro Francisco Guimarães. Tomou posse do governo no dia 22 de Junho e ocupou este cargo até 26 de Outubro de 1866, tendo regressado a Lisboa no dia 30 do mesmo mês. Coelho do Amaral desenvolveu uma acção importante na concretização de um conjunto de obras que marcaram a sua passagem pela Cidade: reconstrução e melhoramento de ruas, construção da ‘Marginal’, construção do quartel de S. Francisco e do forte com o mesmo nome, construção do fortim de Mong Há (Wangxia 望廈), renovação das fortalezas da Taipa, S. João e S. Jerónimo, e ainda a construção do Farol da Guia, o primeiro que o litoral da China conheceu, concebido por Carlos Vicente da Rocha e cujas obras foram acompanhadas directamente pelo próprio Governador. O período governativo de Coelho do Amaral ficou fundamentalmente marcado na história de Macau pela sua deslocação a Tianjin 天津 com a missão de efectuar a troca das ratificações do tratado luso-chinês assinado em 13 de Agosto de 1862 por Isidoro Francisco Guimarães. Assim, no dia 27 de Abril de 1864, José Rodrigues Coelho do Amaral partiu de Macau rumo a Tianjin 天津 acompanhado por António Feliciano Marques Pereira (secretário), João Rodrigues Gonçalves (intérprete) e Jerónimo Osório de Castro Cabral de Albuquerque (adido). Depois das primeiras visitas extra-oficiais, a cerimónia da troca das ratificações ficou marcada para 17 de Junho. Nesse dia, após a verificação dos plenos poderes das duas delegações, os representantes chineses afirmaram a necessidade de proceder a algumas alterações ao texto do tratado antes de se efectuar a troca das ratificações. Coelho do Amaral recusou tal pretensão, disponibilizando-se todavia a discutir o conteúdo do tratado com vista a uma futura revisão, mas só depois da troca das ratificações. Perante a insistência dos representantes chineses, que alegavam terem ordens imperiais para renegociar alguns artigos do tratado, Coelho do Amaral abandonou a mesa das negociações e regressou a Macau nos primeiros dias de Julho, com o tratado por ratificar. Bibliografia: DIAS, Alfredo Gomes, Sob o Signo da Transição, (Macau, 1998); SALDANHA, António Vasconcelos, Diplomacia, Tratados e Personalidades. Estudos sobre as Relações entre Portugal e a China, (Lisboa, no prelo); SALDANHA, António Vasconcelos, Estudos Sobre as Relações Luso-Chinesas, (Lisboa, 1996); SALDANHA, António Vasconcelos; ALVES, Jorge Santos (dirs.), Governadores de Macau, (Macau, no prelo).

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Data de atualização: 2020/04/16