Surgimento e mudança da Ribeira Lin Kai de San Kio
Macau e a Rota da Seda: “Macau nos Mapas Antigos” Série de Conhecimentos (I)
Escravo Negro de Macau que Podia Viver no Fundo da Água
Que tipo de país é a China ? O que disseram os primeiros portugueses aqui chegados sobre a China, 1515

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A chamada Embaixada dos Quatro Jovens à Europa na Era Tensho (1582-1591) é um episódio da antiga Igreja do Japão e um dos que, hoje em dia, têm maiores atractivos. É também uma história que tem uma profunda ligação com a cidade de Macau: os embaixadores passaram duas vezes por esta cidade e depois vários deles voltaram aqui por motivos de estudo ou desterrados. A embaixa da foi planeada pelo Padre Valignano, com uma dupla finalidade: levar ao Sumo Pontífice as saudações da Igreja do Japão e mostrar-lhe o seu progresso, e, no regresso ao Japão, fazer dos embaixadores testemunhas, perante os seus compatriotas, do que tinham visto na Europa.Valignano comunicou o seu projecto aos três dáimios cristãos de Kyushu: D. Francisco Otomo, dáimio de Bungo, que envia como seu embaixador Ito Mâncio, neto do daimio de Hyuga; D. Protasio Arima, dáimio de Arima e D. Bartolomeu Omura, senhor de Omura, que escolhem como embaixador Miguel Chijiwa, neto do dáimio de Arima, Haruzumi Sengan, que era sobrinho de Omura Sumitada e primo de Arima Harunobu. Os outros dois jovens, Martinho Hara e Julião Nakaura, eram filhos de vassalos principais de Omura Sumitada. As genealogias estão hoje em dia bem investigadas e os rumores de que os dáimios os não teriam enviado não passam de calúnias para desacreditar a legação. A embaixada sai de Nagasáqui a 20 de Fevereiro de 1582, chega a Portugal a 11 de Agosto de 1584, estão em Roma de 22 de Marco de 1585 a 3 de Junho, e voltam a Nagasáqui a 21 de Julho de 1590. Estiveram em Macau, à ida, de 9 de Março de 1582 a 31 de Dezembro, e à volta, de 28 de Julho de 1588 a 23 de Julho de 1590. Macau foi o seu primeiro contacto com um país estrangeiro, e há poucos dados sobre essa primeira estada. No regresso ficam, por falta de embarcação, dois anos; são já homens, com uma experiência rica, e temos dados abundantes sobre a sua estada. Como durante a viagem recebem a notícia da morte do Cardeal D. Henrique e da anexação de Portugal a Espanha, a sua primeira visita a Portugal limita-se a descansar e a visitar alguns lugares, embora a sua primeira visita a Évora, festejados pelo bispo D. Teotónio de Bragança, e a Vila Viçosa, hóspedes do Duque de Bragança, os ponha em contacto com o mundo político e religioso da Península Ibérica. A caminho de Madrid iniciam uma série de peregrinações com a visita ao Mosteiro de GuadaluPadre Em Toledo, Miguel Chijiwa adoece gravemente e, ao chegar a Madrid, também Martinho Hara adoece, mas todos estão em forma para assistir ao juramento do Príncipe D. Filipe, filho de Filipe II. Vão para Itália, e depois da sumptuosa recepção feita por Sua Graça o Grão-Duque de Medicis, seguem para Roma. Chegam a 22 de Março, e a 23 é a recepção solene, em Consistório, pelo Papa Gregório XIII. Julião Nakaura está gravemente doente, mas consegue uma visita privada ao Papa, a qual marca a sua vida. Duas semanas mais tarde morre Gregório XIII, sucedendo-lhe Sixto V, que trata os embaixadores com o mesmo afecto paternal. O Senado de Romaconcede-lhe sotítulo de cidadãos romanos. Saem de Roma cobertos de honrarias e, numa viagem minuciosamente contada em numeros os documentos, passam pelas cidades de Bolonha, Ferrara, Veneza, Mântua e Milão, embarcam em Génova e atravessam o Mediterrâneo até Barcelona. Dali, depois de uma peregrinação a Monserrate, vão despedir-se de Filipe II, que estava nas cortes de Monzón, e voltam a Portugal. Enquanto não chega a altura de embarcar, vão a Coimbra, onde entram em contacto com o mundo universitário; estudam música em Lisboa e adquirem ali uma máquina impressora e os caracteres móveis que introduzirão no Japão; ao mesmo tempo, os seus companheiros Jorge Loyola e Constantino Dourado iniciam-se na arte da imprensa e no fabrico dos tipos para a imprensa. Chegam a Goa a 29 de Maio de 1587 e aqui voltam a reunir-se com o Padre Valignano, e seguem para Macau, onde chegam a 28 de Julho de 1588. Aqui recebem as notícias da perseguição iniciada por Toyotomi Hideyoshi e da morte de D. Francisco Otomo e de D. Bartolo- meu Omura. Alojam-se numa casa nos terrenos do Colégio e, enquanto esperam dois anos para partirem para o Japão, dividem o seu tempo entre o estudo e a música. No dia de Ano Novo de 1589 deram um concerto na igreja da Companhia. Chegados ao Japão, vão descansar no Seminário de Arima, então em Hachirao, onde comunicam aos alunos os seus conhecimentos de música europeia. Dali partem para Quioto, para acompanharem o Padre Valignano na apresentação da sua embaixada perante Hideyoshi, a quem obsequiam com canto e música.Terminada esta difícil missão voltam a Kyushu, onde apresentam a Arima Harunobu a resposta do Papa à sua legação, e fazem depois o mesmo perante D. Sancho Omura, que tinha sucedido ao pai. Finalmente, a 25 de Julho de 1591, entram no noviciado da Companhia de Jesus, que era então em Kwachinoura, em Amakusa. Pouco a pouco, os seus caminhos separam-se: Miguel Chijiwa, doente e com pouca aptidão para o estudo, deixa a Companhia e vai servir o primo, D.Sancho de Omura; Mâncio Ito e Julião Nakaura voltam em 1601 a Macau, onde estudam Teologia durante três anos, e a seguir de novo no Japão, trabalham no seminário e na igreja de Hakata. Ordenados sacerdotes em 1608, Ito Mâncio vai para a igreja de Kokura, de onde, expulsosos Missionários em 1611, volta a Nagasáqui, e morre de doença, no Colégio, a 13 de Novembro de 1612. Em Novembro de 1614 todos os missionários são expulsos do Japão: o Padre Mesquita morre dias antes de partir, na praia de Nagasáqui; Martinho Harae Constantino Dourado vão para Macau, onde Constantino consegue finalmente ser ordenado sacerdote e é nomeado reitor do seminário, mas morre em 3 de Julho de 1620, e Martinho Hara, depois de anos de apostolado, morre em 23 de Outubro de 1629. Julião Nakaura fica no Japão, escondido, na povoação de Kuchinotsu, de onde atende a outras regiões. Depois de uma vida heróica com o missionário clandestino é feito prisioneiro em Kokura em finais de 1632, enviado para o cárcere de Crusmachi em Nagasáquie, após dez meses de cárcere e de julgamentos, morre na tortura da fossa na colina Nishizaka, a 21 de Outubro de 1633. Nesse mesmo ano iniciou-se em Macau o processo da sua beatificação. Esse processo, interrompido durante longos anos, foi retomado e está actualmente em andamento em Roma. A história dos Quatro Legados, as numerosas obras e scritas sobre eles e a influência que exerceram na música, arte,literatura e sobre tudo nas relações com Roma nos séculos XVI e XVII, fizeram deles figuras importantes da história japonesa dessa época. [D.Y.]Bibliografia: FRÓIS, Luís, La Prémiere Ambassade du Japon en Europe, (Tóquio, 1942); SANDE, Duarte de, Diálogo sobre a Missão dos Embaixadores Japoneses à Cúria Romana,(Macau, 1997); YUUKI, Diego, Os Quatro Legados dos Daimios de Quiuxu após Regressarem ao Japão, (Macau, 1990).
Não existem referências sobre as estruturas militares portuguesas em Macau até 1583. A autoridade era exercida pelo capitão-mor das viagens ao Japão, quando ali estava à espera da monção favorável que o fizesse seguir caminho para o arquipélago nipónico. Em 1583, a jurisdição militar foi separada da administrativa. Esta ficou a cargo do Senado e a primeira foi confiada ao capitão-mor, que teria uma função de comandante militar. No entanto, apesar do comando se encontrar razoavelmente definido, continuava a ter um carácter precário, dado que o referido oficial apenas permanecia em Macau um período de tempo no ano. Assim, em 1621, os moradores fizeram sentir ao vice-rei da Índia a necessidade de um capitão permanente e soldados para defesa da cidade. O desejo era muito pertinente, como se verificou no ano seguinte, quando Macau foi atacada pelos holandeses. A defesa da mesma foi levada a cabo pelos próprios moradores e escravos, chefiados por Lopo Sarmento de Carvalho. Macau, nessa epoca, via nascer uma fundição de canhoes e artilharia que, durante muitos anos, funcionou como uma pedra basilar na zona do sul da China. A polícia da cidade teve a sua origem na Ronda, grupo de cidadãos que durante a noite faziam uma vigilia de forma a assegurar o sossego e o respeito pela propriedade de cada um. Com a evolução dos tempos, a mesma foi adquirindo outros contornos, apoiada por legislação e regulamentos, como o alvará régio de 30 de Abril de 1689, que atribuía ao Senado a nomeação dos capitães de ordenança, chefes responsáveis pelas rondas. A determinação foi repetida em 14 de Março de 1691 e a data constitui actualmente a comemorativa da fundação da Polícia de Segurança Pública deMacau. Em 1822, da referida corporação surgiu a Polícia Marítima e Fiscal, que se transformou em Polícia do Mar em 1868. Em 1849 aportou à cidade a Força Expedicionária à China, vinda de Goa. A referida força era composta de 5 oficiais e 100 praças, que utilizavam o uniforme do Regimento de Artilharia de Goa. A sua missão prioritária era reforçar todo o serviço extraordinário e ordinário de guarnição de Macau, tarefa até aí realizada pelo Batalhão de Artilharia. Com o desenvolvimento da cidade, os fortes e fortalezas foram aparecendo, levando à necessidade de centralizar o comando da força militar. A 30 de Janeiro de1850 foi nomeado João Tavares de Almeida para comandante do Batalhão de Artilharia, transformando essa unidade na primeira força militar efectiva de Macau. Em 1857, a corporação foi transformada no Batalhão de Macau, com estado-maior e menor, uma companhia de artilharia e três companhias de infantaria. No antigo Convento de S. Francisco foi construído um quartel, projecto da responsabilidade do então governador José Rodrigues Coelho do Amaral, inaugurado com o aquartelamento das tropas em 30 de Dezembro de 1866. Por Decreto de 2 de Dezembro de 1869, foram organizadas as Forças do Ultramar, e em Julho de 1870, foi criada a Legião do Ultramar,com três batalhões de infantaria. Em 18 de Abril de1876 foi extinto o Batalhão de Infantaria de Macau, tendo sido substituído pelo 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria do Ultramar, destacado na cidade. Em 1883 foi criada a Inspecção de Serviços de Incêndio, com o objectivo específico de combater os fogos e socorrer vítimas. Essa corporação tornou-se no Corpo de Bombeiros em 1915, passando a usufruir de regulamento orgânico quatro anos depois. Por decreto de 16 de Agosto de 1895, foram extintas a Guarda Policial e a Companhia de Artilharia, e organizadas duas companhias de guerra, criadas no mesmo ano. A união destas duas constituiu o Grupo de Companhias de Infantariade Macau no dia 1 de Fevereiro de 1898. Dois anos depois, desembarcou na cidade o Corpo Expedicionário, constituído por uma companhia de caçadores, uma bateria de artilharia, e membros dos serviçosde Saúde e administrativos. Em Novembro de 1901foi aprovada uma nova organização do Ultramar, pela qual o Corpo da Polícia ficou militarmente organizado e composto por um pelotão de cavalaria e duas companhias de infantaria, uma europeia e outra de mouros e chineses. Em 1921 foi extinto o Corpo de Polícia e criadas três companhias, duas de infantaria e uma de metralhadoras. Dois anos mais tarde, nenhuma delas existia, tendo sido substituídas pelo Grupo Misto de Metralhadoras, que, em 1933, deu lugar à Companhia de Metralhadoras. Esta companhia teve várias designações ao longo do tempo, como Esquadrão Motorizado, Esquadrão de Reconhecimento e Esquadrão de Cavalaria. Oficialmente, teve o seu fim a 11 de Agosto de 1975. Paralelamente, existia o Batalhão de Caçadores do Norte, que chegou aMacau a 24 de Junho de 1946 e que nesse mesmo ano se transformou em Grupo de Companhias de Caçadores. O grupo foi substituído em 4 de Maio de 1948 pela Companhia Independente de Caçadores das Beiras, oriundos da Covilhã, Castelo Branco e Figueirada Foz. Em 1949, a cidade recebeu unidades expedicionárias, tendo uma Companhia de Engenhos. Em 22 de Setembro de 1951, o Comando, Formação eTrem RI1 (Unidade Mobilizadora de Portugal) foram transformados em Comando Militar e Quartel-General. Em 1957 e 1960 aconteceram várias reorganizações dessa corporação, tendo em 17 de Janeiro de1961, pelo Decreto-Lei n.º 43351 de 24 de Novembrode 1960, passado a designar-se Comando Territorial Independente de Macau (CTIM). Após aRevolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal, quando se fez sentir a necessidade de reestruturar as forças militares e militarizadas de Macau, foi extinto o CTIM, para dar lugar às Forças de Segurança deMacau. A cerimónia oficial que marcou a transição teve lugar no dia 30 de Dezembro de 1975, no Quartelde S. Francisco. Os últimos comandantes do organismo extinto foram o Tenente-Coronel de Engenharia Manuel Joaquim Álvaro Maia Gonçalves e o Major deArtilharia José Fernando Jorge Duque. A nova instituição foi consagrada através do Boletim Oficial n.º 292, I Série, pelo Decreto-Lei n.º 705/75. No seu artigo1.º estabeleceu-se que todas as forças militares e militarizadas de Macau ficariam debaixo de um único comando. E a sua organização compreendia, para além do comando, o Conselho de Segurança e as Forças deSegurança, que abrangiam a Polícia de Segurança Pública(PSP), a Polícia Marítima e Fiscal (PMF) e o Corpo dos Bombeiros (CB). A Polícia Judiciária cooperaria com as F.S.M. nos termos legalmente previstos. O Comandante seria um Oficial Superior do Exército, nomeado por despacho conjunto do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e do Ministro competente do Governo da República, sob proposta do Governador de Macau. O referido comandante tinha e continuou a ter após a passagem da soberania em 1999 a categoria de Secretário-Adjunto da Segurança em Macau. A admissão dos quadros das diversas corporações fazia-se através do Centro de Instrução Conjunto (CIC), criado em 1977, que assegurava a instrução dos jovens admitidos nos Serviços de Segurança Territorial. Só em 1988 foi criada a Escola Superior das Forças de Segurança de Macau. O Conselho de Segurança tem funções consultivas e obrigatoriamente tem de ser ouvido quanto a questões relativas a emprego, organização e preparação d ainstituição. O organismo é constituído pelo Comandante e 2.º comandante das F.S.M., pelo respectivo Chefe deEstado Maior, pelos comandantes da P.S.P. e da P.M.F. e pelo Director da Judiciária. A P.S.P. é um corpo militarizado e tem por objectivo a protecção civil e a segurança interna, como assegurar a ordem e tranquilidadepúblicas; exercer a prevenção e repressão da delinquência; defender os bens públicos e privados, intervir na protecção civil e assegurar o serviço de migração. A Polícia Municipal é também um corpo militarizado, constituído por pessoal da P.S.P. destacado na Câmara Municipal e cujas tarefas são colaborar com a administração do município nas acções de fiscalização do cumprimento das posturas, regulamentos e outras determinações de interesse municipal; policiar os mercados e outros recintos municipais; fiscalizar a construção civil no domínio da prevenção das obras ilegais; promover medidas fiscalizadoras tendo em vista evitar a insalubridade e prevenir incêndios, fiscalizar estabelecimentos comerciais e hoteleiros; vigiar o património municipal e colaborar na resolução de problemas relacionados com os utentes. O comandante desta Polícia é nomeado por despacho do Comandantedas F.S.M., depois de ouvido o presidente do Leal Senado, entidade na qual pode ser delegado adirecção operacional e administrativa da P.M.. A Polícia Marítima e Fiscal, igualmente um corpo militarizado, destina-se a fiscalizar o cumprimento das leis e regulamentos marítimos e fiscais; assegurar a ordem e tranquilidade públicas nas zonas de jurisdição marítima, que incluem pontes, cais e praias; fiscalizar o embarque e desembarque de mercadorias; proteger os bens públicos e privados e, finalmente, intervir na protecção civil. O Corpo dos Bombeiros tem por objectivo a prestação de socorros em caso de incêndio, inundações; desabamentos ou qualquer sinistro que venha a pôr em causa a vida e haveres de pessoas; prevenção de incêndios em edifícios públicos ou municipais, casas de espectáculos e outros recintos abertos ao público; colaboração com outras forças em caso de calamidade pública ou de emergência; protecção de socorro a doentes e sinistrados, e colaboração nos trabalhos de protecção civil. A 28 de Janeiro de 1991, através do Decreto-Lei n.º 705/75, foi extinto o Comandodas Forças de Segurança de Macau e criada a Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau (DSFSM). O organismo foi criado como sendo uma unidade orgânica da Administração Pública deMacau, dotada de autonomia administrativa, a qual tinha atribuições de apoio técnico e administrativo no âmbito das Forças de Segurança de Macau. A Direcção organizou-se segundo um esquema onde existia um Conselho Administrativo, dependente da primeira, e vários departamentos como: Divisão de Pessoale Logística, Divisão de Administração, Serviço deInfraestruturas, Comissão Instaladora do Serviço de Informática, Serviço de Comunicações, Serviço deRelações Públicas e Secretaria-Geral. Esta nova instituição de carácter directivo e administrativo das Forças Armadas tem por objectivos a colaboração no estudo e análise de propostas, quando superiormente determinadas; a prestação de apoio técnico, administrativo, planificação, coordenação e normalização de procedimentos nas áreas jurídicas, de pessoal, logística, administração financeira, comunicações, infraestruturas, organização e informática no âmbito das Forças Armadas; participar e dar parecer em assuntos relacionados com actividades que envolvam as FSM; estudar e propor medidas de natureza regulamentar, administrativa e técnica; desempenhar, por determinação do Governador, outras tarefas não compreendidas anteriormente. O Sistema Integrado de Comunicações das FSM (SICOMACAU), projectado em 1991 e instalado no ano seguinte, inclui os sub-sistemas: Renovaçãodo Sistema Telefónico, Renovação do Sistema Rádio, Telemetria e Controlo de Infraestruturas e Sistemas de Apoio Rádio, Rede de Fibras Ópticas, Automatização e Informatização do 999, e Rede de Dados Móveis. Tais operações permitiram uma maior segurança nas comunicações, possibilidade de comunicações e alarmes de emergência, interligação telefónica, ou seja, possibilidade de uma comunicação telefónica ser difundida pela rede rádio. O Convento de S. Francisco é onde se encontra instalado o Comando das FSM. A partir de 1995, os militares portugueses foram sucessivamente substituídos por quadros superiores locais formados pela Escola Superior das FSM. O aniversário das DSFSM comemora-se no dia 28 de Janeiro, data da publicação do Decreto da sua constituição. – I. Comandantes da FSM. 1.De 16-1-1976 a 18-9-1978 – Joaquim Chito Rodrigues; 2. De 1-3-1979 a 3-7-1981 – José Carlos Moreira Campos; 3. De 25-7-1981 a 27-5-1986 – Manuel Maria Amaral de Freitas; 4. De 21-7-1986 a 10-4-1990 – José Fernando Proença de Almeida. – II. Directores das DSFSM. 1. De 31-7-1991 a 15-9-1996– Renato Gastão Schulze da Costa Ferreira; 2. De10-10-1996 a 25-2-1999 – Eduardo Alberto deVeloso Matos. [A.N.M.] Bibliografia: Forças de Segurança de Macau, (Macau, 1999); TEIXEIRA, Padre Manuel, A Polícia em Macau, (Macau,1991).
No dia 11 de Agosto de 1714, tomou posse do governo de Macau D. Francisco Alarcão Sotto-Maior, que foi também Governador de Moçambique e Rios de Sena, e Capitão-Mor da Armada do Canará e Costa do Sul. De 1714 a 1718, embora com poucos anos na Índia mas muito recomendado pelas suas qualidades, governa Macau D. Francisco de Alarcão Sotto Mayor, natural de Óbidos. Este Governador cumpriu cargo homólogo em Moçambique, e as relações entre os dois pontos de administração portuguesa devem ser estudadas com o auxílio de DITEMA., vol. III, pp. 1022-1023. No seu tempo no Oriente, equaciona-se a viagem Macau- - Brasil que, não tendo resultado, abre caminho para um futuro próximo. Também no seu governo se fizeram magníficas celebrações dos 60 anos de K’ang-Hsi; terão sido tão brilhantes que o Imperador se mostrou favorável aos moradores de Macau. V. Governadores de Macau, Coordenação de Jorge Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha. Investigação e textos de Paulo Sousa Pinto, António Martins do Vale, Teresa Lopes da Silva e Alfredo Gomes Dias. Editora Livros do Oriente, Portugal, 2013, pp. 85-86. V. também nesta Cronologia…, 1714, Agosto, 11).
Inclui: Catalogo dos nomes santos dos pricipes e princezas christãos e cathecumenos, filhos, netos e bisnetos do Regulo, que o seguirão ao desterro; Carta do Principe D. Paulo escripta do lugar do desterro aos 11 de Agosto 1724 ao Pe. Joseph Soares da Compa de Jesu e aos mais PP. de Pekim; Resumo do que aconteceo na Corte de Pekim no fim do anno de 1723 e principio de 1724 por cauza de varias accuzaçoens que forão dadas ao Imp.or Yumchim contra a religião xpam e pregadores della e XVI das quaes foi prohibida sub pretexto de sediciosa as igr.as confiscadas e os missionarios proscriptos das provincias da China
Cópia de uma só mão. Numeração coeva até ao f. [50] CONTEM: 'Compendio da historia de como varias pessoas da familia Imperial Tartaro Sinica abraçarão a Religião Christãa...' (f. 1-41 v.) . - 'Carta do Principe D. Paulo escrita do Lugar do desterro aos 11 de Agosto de 1724. Ao P[adr]e Joze Soares da Comp[anhi]a de Jezus, e aos mais Padres de Pekim' (f. 41 v.-43) . - 'Resumo do que aconteceo na Corte de Pekim no fim do anno de 1723 e principio de 1724' (f.43-[68]) . - 'Relação Summaria da perseguição de Tuinkijn, com a noticia do Martirio do V. P[adr]e Fran[cis]co Maria Bucareli da Comp[anhi]a de Jezus, e o de nove christaos Tuinkins Martires' (f. [69-94]).PRODUÇÃO: [1751-1800]
Desde 11 de Agosto de 1727 Até 1732, governa Macau António Moniz Barreto, natural de Angra do Heroísmo, Açores, filho de Guilherme Moniz Barreto. Conflitos com o Ouvidor, a quem mandou prender. Levou um mandato de seis e não de três anos, como habitual, e teve sempre o apoio de Goa. V. Governadores De Macau, Coordenação de Jorge Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha. Investigação e textos de Paulo Sousa Pinto, António Martins do Vale, Teresa Lopes da Silva e Alfredo Gomes Dias. Editora Livros do Oriente, Portugal, 2013, pp. 96-97.
Embaixador do rei português D. José I ao imperador chinês Qianlong 乾隆 (1736- 1795) entre 1752 e 1757. Sampaio era um fidalgo da confiança do rei, membro do Conselho Real e do Conselho Ultramarino. Para esta missão diplomática foi investido de poderes de Ministro Plenipotenciário. A embaixada insere-se nas embaixadas oficiais enviadas por Portugal à China em clima de cortesia, embora o seu objectivo tivesse sido no sentido de proteger os interesses do Padroado no Império Celeste. A carta real foi escrita em Lisboa e datada de 28 de Janeiro de 1752. Paralelamente a esta missiva, o monarca redigiu uma outra para o Senado de Macau, onde dizia que Sampaio deveria referir-se ao falecimento do rei, seu pai, D. João V, e ainda um pedido expresso no sentido de haver um apaziguamento na intolerância demonstrada pelo imperador, para com os missionários que se encontravam na China. Saiu de Lisboa a 23 de Fevereiro de 1752, na nau Nossa Senhora da Conceição e Lusitânea, e chegou a Macau a 11 de Agosto do mesmo ano, embora só tenha desembarcado quatro dias depois. Foi recebido com pompa e circunstância, tendo ficado alojado nas casas de Simão Vicente Rosa, um dos homens influentes da elite macaense. A cidade era governada por D. Rodrigo de Castro e atravessava um dos maus momentos da sua história em termos económicos, pois encontrava-se num estado de completa miséria. Formou-se, de imediato, a opinião de que a mesma devia seguir directamente para Pequim 北京, sem a permissão de Cantão, tarefa praticamente impossível de concretizar. O embaixador, ciente da importância diplomática do séquito, enviou à corte imperial o Padre Agustin Halerstein, com uma carta e um memorial para ser lido pelo imperador. As autoridades chinesas tentaram classificar a embaixada como sendo tributária, uso muito comum para todas as missões diplomáticas que já haviam entrado no país. Para esclarecer e ultrapassar este assunto, muito contribuiu Francisco Roth, director da delegação da Companhia Oriental de França, sedeada em Cantão, que traduziu as chapas sínicas. O padre Halerstein regressou a Macau, acompanhado por um mandarim a 14 de Dezembro do ano em curso, tendo sido ambos recebidos pelo Senado e Governador. Da comitiva fizeram parte setenta e uma pessoas, contando nesse número dois jesuítas que já se encontravam em Pequim 北京. Na cidade de Guangzhou 廣州 receberam as visitas dos directores das companhias de comércio europeias ali autorizadas a permanecerem. Quando questionados, mais uma vez, sobre o objectivo da viagem, a resposta foi no sentido da obrigação de cortesia de Portugal para a China. Em Pequim 北京 foram bem recebidos, tendo o embaixador sido convidado para assistir a uma cerimónia, que se salientou pela sua imponência, onde Qianlong 乾隆 pretendia pedir chuva ao Céu. O imperador deixou à vontade Pacheco de Sampaio para visitar o que quisesse na cidade, circunstância aproveitada pelo mesmo para se deslocar ao Tribunal das Matemáticas, onde teve a hipótese de observar os instrumentos. À semelhança do seu congénere Souza Menezes, em 1726, foi convidado para um banquete na casa de recreio do imperador. Dos presentes do imperador, para D. José I de Portugal, constavam sedas, cetins, veludos, vasos de pedra branca, um bule de pedra, pratos de charão, vasos, travesseiros, livros, loiças, leques, etc. Igualmente o embaixador e diversos membros da comitiva receberam ofertas de acordo com a posição de cada um dentro do séquito. O presente de D. José I para o imperador, contava com uma caixa com duas espingardas, outra caixa com duas pistolas, seis caixas para tabaco, caixas guarnecidas, frasqueiras, frascos de bálsamo, tabaco, etc. A embaixada saiu de Pequim 北京 a 8 de Junho, chegando a Macau a 5 de Outubro. A sua chegada foi celebrada com fogo de artifício e salvas de tiro, tanto das fortalezas como dos navios. No regresso a Portugal, fizeram escala no Rio de Janeiro. Macau gastou com a embaixada 22.000 taéis. O documento mais interessante desta missão diplomática é o relatório elaborado pelo próprio embaixador a 31 de Agosto de 1756, publicado por Júdice Biker na sua Colectânea. [A.N.M.] Bibliografia: BIKER, Júdice, Memória sobre o Estabelecimento de Macau, (Lisboa, 1879); TEIXEIRA, Padre Manuel, Macau no Séc. XVIII, (Macau, 1984).
As dificuldades de se conservar a capital de Timor, Lifau, eram tais que o Governador António José Teles de Meneses, ali chegado em 1768, incendeia essa cidade e com o céu e o mar iluminados pelas chamas embarca, a 11 de Agosto (de 1769), em direcção a Dili onde fundeia a 10 de Outubro (de 1769), ficando esta a capital de Timor.
Contra-almirante francês que começa a sua carreira como botânico e linguista e, em 1807, integra a tripulação do l’Aquillon, na qual iniciará a sua formação profissional como ‘noviço’, até se tornar aspirante em 1809. Em 1821, sendo já tenente, planeia, juntamente com Louis Isadore Duperrey, uma expedição científica aos oceanos Atlântico e Pacífico, que vem a acontecer a bordo da corveta Coquille, comandada por este último, e tendo d’Urville como segundo comandante. A viagem inicia- se em 11 de Agosto de 1822 e dura três anos, chegando a Marselha em 24 de Janeiro de 1825. D’Urville parte de novo, em 25 de Abril de 1826, encarregue de encontrar o paradeiro da expedição do conde de Lapérouse, desaparecida há cerca de trinta e oito anos durante a sua circum-navegação. A Coquille é rebaptizada L’Astrolabe em honra ao barco de Lapérouse e, num recife das ilhas Vanikoro, a tripulação descobre os destroços da embarcação que lhe dera nome, regressando a Marselha em 25 de Março de 1829. A narrativa da viagem é ordenada e paga pelo ministro da Marinha, sendo publicada em Paris, no ano de 1835: Voyage de la corvette l’Astrolabe éxécuté par ordre du roi, pendant les années 1826, 1827, 1828, 1829 (13 vols.). Aos cinquenta anos, e após a sua última viagem, em 1840, o já contra-almirante d’Urville recebe, da Sociedade de Geografia francesa, uma medalha de ouro. Na obra Voyage pittoresque autour du monde. Resumé Général des voyages de découvertes publié sous la direction de M. Duont d’Urville, capitaine de vaisseau..., o navegador resume a sua estada em Macau, começando, tal como muitos outros visitantes, por descrever a população marítima e fluvial que observa à chegada ao enclave, onde avista, desde logo, os conventos, os fortes, acabando, com um certo pendor lírico, por personificar as habitações: “as casas de Macau descem até ao mar”. O viajante descreve posteriormente, tal como a maioria dos visitantes franceses que se devem influenciar entre si nos relatos de viagens, o ancoradouro da Taipa, a localização e o relevo da península, bem como a história do estabelecimento dos portugueses dentro da muralha com que os chineses delimitam o espaço luso de comércio e residência no Império do Meio. Desconhecendo o final do comércio da nau de trato, d’Urville, tal como muitos outros seus compatriotas que visitam o enclave, dá como causa da decadência do comércio português local apenas a chegada dos rivais norte-europeus a Cantão, afirmando que os energéticos e empreendedores chineses construíram Macau. É também abordado o poder das autoridades mandarínicas que podem isolar a cidade, suspendendo o comércio e a entrada de víveres na mesma, poder esse que exercem sobre os portugueses, descrevendo o autor, à semelhança do relato de Laplace (1793- 1875), um conflito originado por um árabe doente e que envolve as autoridades sínicas. Mal desembarca, a tripulação pede guarida a um comerciante norte-americano e passeia pela Praia Grande, descrevendo, o texto, a mesma, bem como as construções de prestígio que se avistam. No dia seguinte, a tripulação almoça com um inglês num local que “cheira a perfume de poesia antiga”, o quiosque ou pequeno observatório no Jardim da Gruta de Camões, e visita as fortalezas. São referidas a guarnição militar do território, as lojas e os cemitérios chineses, a lei chinesa em caso de homicídio, algumas igrejas, os hospitais, as sinuosas e estreitas ruas do enclave e São Paulo. Traça-se ainda um quadro sobre a missionação francesa e a arte de enganar o cliente, esta demonstrada pelos vendedores do mercado chinês. Seguidamente, o autor fala sobre os portugueses que habitam as feitorias “fundadas por Albuquerque e por Andrade”, a miscegenação, o vestuário, a tez e a fisionomia de mulheres e homens. Relativamente às mulheres de Macau, antipáticas e reservadas, o autor refere o uso do dó e a aparência. D’Urville, tal como muitos outros visitantes estrangeiros, enumera também os pássaros do aviário de Thomas Beale, antes de relatar um passeio até à Taipa e uma festa chinesa por entre tambores, bandeirolas, templos, capelas e marinheiros que prestam culto às suas divindades (Voyage pittoresque..., 1834-1835, pp. 275-287). O texto menciona ainda as “chinesas aportuguesadas” e o facto de os chineses venderem as suas filhas aos portugueses, acabando as mestiças por trabalhar nos opiários. A importância do comércio do ópio para Macau antes da utilização sistemática de Lintim é também referida, bem como os seus elevados lucros financeiros. O autor não esquece também o parco comércio português, a actividade das alfândegas portuguesa e chinesa, bem como a actividade do mandarim da Casa Branca e do governo português do território. Uma outra presença observada no enclave são os mercadores europeus e norte-americanos, que aí se estabelecem entre as “épocas comerciais” de Cantão e constroem e arrendam luxuosas moradias. [R.M.P.] Bibliografia: DEZOS, Jean Bernard Marie Alexandre, Notice Nécrologique sur Dumont d’Urville, Contre-amiral et Navigateur Français, (Paris, 1855); Soudry A., Dumont d’Urville, (Paris, 1886); HULOT, Baron Etienne, Le Contre-amiral Dumont d’Urville, (Paris, 1892); VERGNIOL, Camille, Dumont d’Urville, (Paris, 1930); DAY, George, Dumont d’Urville, 1790- 1842, (Paris, 1947); ASTORKIA, Madeline, Autour de Láperouse: les Voyages de Dumont d’Urville, Caisse d’Épargne, Toulon, 22 Octobre-20 Décembre 1985: Conception de l’Exposition et Catalogue, (Toulon, 1985); ASTORKIA, Madeline, Jules Sébastien César Dumont d’Urville, 1790-1842: Textes et Documents, Service Historique de la Marine-Centre de Documentation et de Recherche de la IIIe. Région Maritime, (Toulon, 1985); GUILLON, Jacques, Dumont d’Urville: 1790-1842, (Paris, 1986); McLAREN, Ian Francis, Lapérouse in the Pacific: Including Searches by d’Entrecasteaux, Dillon, Dumont d’Urville: An Annotated Bibliography, (Parkville, 1993); ROLLAND, Thomas Pierre, Any Port in a Storm: from Provenance to Australia: Rolland’s Journal of the Voyage of La Coquille (1822-1825) , (Townsville, 1993); HUNT, Susan et alii, Lure of the Southern Seas: The Voyages of Dumont d’Urville 1826-1840, (Sidney, 2002); URVILLE, Jules Sebástien César Dumont d’, Voyage Pittoresque autour du Monde. Resumé Général des Voyages de Découvertes Publié sous la Direction de M. Duont d’Urville, Capitaine de Vaisseau, Accompagné de Cartes de Nombreuses Gravures en Taille-douce sur Acier, d’aprés les Dessins de M. de Sainson, Desinateur du Voyage dl’Astrolabe, 2 vols., (Paris, 1834-1835); URVILLE, Jules Sebástien César Dumont d’, Voyage de Découvertes de l’Astrolabe: Exécuté par Ordre du Roi, pendant les Années 1826-1827-1828-1829, sous le Commandement de M. J. Dumont d’Urville, Capitaine de Vaisseau, (Paris, 1833-1834); URVILLE, Jules Sebástien César Dumont d’, An Account in Two Volumes of Two Voyages to the South Seas by Captain (Later Rear-Admiral) Jules S. C. Dumont d’Urville of the French Navy to Australia, New Zealand, Oceania, 1826-1829 in the Corvette Astrolabe and the Straits of Magellan, Chile, Oceania, South East Asia, Australia, Antarctica, New Zealand, and Torres Strait, 1837-1840 in the Corvettes Astrolabe and Zélée, (Honolulu, 1988); URVILLE, Jules Sebástien César Dumont d’, The New Zelanders: A Story of Austral Lands, (Wellington, 1992).
Em 11 de Agosto de 1842, o Senado resolveu acabar com os revisores ou censores das publicações, declarando a Imprensa livre de censura, ficando a mesma sujeita apenas à lei de 10 de Novembro de 1837. Idêntica medida é também assinada pelo Conselho do Governo. Foi reposta em 1844 (governava Gregório Pegado) e assim se manteve até final do século. (Em 1910 é abolida mas não em definitivo.) De 1845 ( com O Procurador dos Macaístas) a 1868 (com O Independente) não existem jornais em Macau, mas há o Boletim Oficial que cobre esta lacuna e o Ta-Ssi-Yang-Kuo (de 1863 a 1866). Entretanto em Cantão sai em 1852 o Verdade e Liberdade, de utilidade comercial, e em Hong Kong sai o Echo do Povo, ambos em português mas fora de Macau. Em 1888 O Progresso era editado em Shanghai, para satisfazer a numerosa colónia portuguesa ali fixada.
No dia 11 de Agosto de 1923, é criada, com justificação expendida no B.O. n.º 6, uma Comissão Permanente de Consulta do Governo sobre assuntos que interessem ao Governo e à Comunidade Chinesa, com sede no Palácio do Governo e constituída pelos seguintes cidadãos: Presidente – Dr. Álvaro dos Santos Pato, Juíz do Tribunal Privativo dos Chinas; Vogais – Dr. Lau Ioc Lon, residente em Macau, antigo Ministro Plenipotenciário da China; Dr. Manuel da Silva Mendes, professor do Liceu e advogado; Dr. Carlos de Melo Leitão, vogal do Conselho Legislativo; Lou Lim Ioc, presidente da Direcção do Hospital Keng U (ou Kiang Wu); Tchau Fong Tchi, presidente da Direcção da Associação de Beneficência Tong Sin Tong; José Vicente Jorge, representante da comunidade chinesa no Conselho Legislativo; Padre Jacob Lau, missionário e antigo vogal representante da comunidade chinesa no Conselho Legislativo; Vogal-Secretário– Pedro Nolasco da Silva, chefe da Repartição do Expediente Sínico.
BASTO, ANTÓNIO JOAQUIM (1848-1912). Nascido em Macau, António Joaquim Basto foi Procurador dos Negócios Sínicos, agente do Ministério Público, advogado provisório, redactor principal do jornal O Echo Macaense, provedor da Santa Casa da Misericórdia, procurador da Coroa e da Fazenda, secretário das missões diplomáticas ao Japão (1882) e ao Sião (1896), presidente do Leal Senado, vogal do Conselho de Governo, agente consular de França, vice-cônsul de Inglaterra e membro da Royal Geographic Society e da Royal Historic Society of London (1890). António Basto é o primeiro membro estrangeiro a ser admitido, como membro honorário, na British and Foreign Association (Londres), em 1891. O comendador casa, pela primeira vez, em 11 de Agosto de 1972, com Áurea Melina da Silva (n. 16-11-1851) e, uma segunda vez, em 8 de Julho de 1907, com Etelvina Elisa de Almeida Azedo (1887-1941), sendo cavaleiro das Ordens do Sol Nascente (Japão), do Elefante Branco (Sião), de S. Silvestre (Vaticano), da Legião de Honra (França) e comendador da Ordem de Cristo. É declarado, em 27 de Dezembro de 1922, pelo Leal Senado, “Cidadão Benemérito de Macau”, tendo sido o seu nome atribuído a uma rua do Território (Rua de António Basto). Autor de obras como A Inépcia em Acção ou uma Página para a História dos Festejos Promovidos em Hong Kong pela Comissão do Tricentenário de Camões (1880), A Justificação de uma Desobediência ou a Causa d’ uma Demissão Immerecida (1881) e O Futuro de Macau ou as Vantagens que Hão-de Resultar da Admissão d’uma Delegação da Alfândega Chinesa em Macau (1873). Bibliografia: Bibliografia: TEIXEIRA, Padre Manuel, Toponímia de Macau, 2 vols., (Macau, 1997); FORJAZ, Jorge, Famílias Macaenses, 3 vols., (Macau, 1996); SILVA, Henrique Rola da, “Macau Há Cem Anos: Pessanha sem Pessanha”, in MacaU, 2.ª série, n.° 86, (Macau, 1999), pp. 76-80; SILVA, Henrique Rola da, “Macau Há Cem Anos: Oposição em Hong Kong”, in MacaU, 2.ª série, n.° 91, (Macau, 1999), pp. 76-81.
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